BRASIL E MUNDO — Abertura

Sabe qual é a diferença entre um criminoso comum e um político no poder? O criminoso comum tenta esconder o crime. O político comete a infração ao vivo na televisão, debocha da legislação e ainda avisa no microfone que vai pagar apenas uma multinha. Foi exatamente isso que Lula fez na convenção regional do Partido dos Trabalhadores na Bahia ao pedir votos abertamente antes da data permitida pelo próprio Estado.

Ele rasgou o código eleitoral no palco, deu risada diante dos militantes e esfregou na cara de todo mundo a certeza da impunidade estatal. Enquanto o cidadão comum sofre sob o peso de regulamentações sufocantes e ameaças de coerção por qualquer deslize burocrático, a elite política enxerga a lei apenas como um detalhe dispensável.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

A legislação eleitoral estipula de forma rígida que a campanha oficial só começa no dia 16 de agosto. Qualquer pedido explícito de voto antes dessa data configura propaganda eleitoral antecipada. Mas o chefe do executivo simplesmente ignorou a regra. Pediu votos para ele mesmo, pediu votos para o candidato ao governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e pediu votos para a dupla Jaques Wagner e Rui Costa na disputa ao Senado. Não satisfeito em atropelar a regra que o próprio sistema criou, Lula admitiu o ato em público, zombando que a punição do tribunal seria meramente financeira.

Essa arrogância escancara a lógica perversa do aparato estatal. Para a oligarquia de Brasília, a lei não passa de uma taxa de conveniência. Se a sanção para um ato ilegal é apenas uma multa em dinheiro, a proibição existe apenas para os pagadores de impostos. Afinal, quem você acha que custeia os advogados partidários e as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral? Você, através do roubo institucionalizado chamado imposto e dos fundos partidários milionários. A coerção estatal garante o orçamento dos políticos enquanto o cidadão sustenta a palhaçada.

Aliás, a ironia se aprofunda quando observamos os aliados que Lula promove no palco. Ele subiu ao pódio para empurrar candidatos como Jaques Wagner e Rui Costa — nomes que figuram na lista de presentes enviada por Augusto Lima, ligado ao Banco Master. A lista de mimos inclui ainda figuras como Jerônimo Rodrigues, Bruno Reis e ACM. O ecossistema estatal opera dessa forma: burocratas, corporações protegidas e apadrinhados trocam favores de tempos em tempos enquanto a população financia o espetáculo. Sob a ótica do mercado livre, a melhor transparência é deixar que os políticos falem à vontade para expor espontaneamente suas conexões corporativistas.

Diante do escárnio explícito, o partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral alegando propaganda antecipada. A ação caiu nas mãos do ministro André Mendonça. É aqui que a comédia da burocracia judicial fica evidente. As leis eleitorais não existem para garantir justiça ou equidade, mas para fornecer munição política num jogo de chantagem mútua entre burocratas de toga e burocratas de gabinete.

Enquanto o ministro Alexandre de Moraes ameaça a oposição com ineligibilidade por qualquer aparição pública ou menção verbal, o grupo governista desafia abertamente a legislação contando com a conveniência do sistema. Não existe segurança jurídica num modelo monopolista de poder. O Direito estatal vira um balcão de barganha política onde julgamentos dependem unicamente de quem segura as pontas da corda. André Mendonça segura de um lado, Alexandre de Moraes segura do outro, e o código legal vira mera peça de teatro.

A conduta do petista é reincidente. Em episódios passados, como ao pedir votos para Marina Silva e Simone Tebet em São Paulo antes do período permitido, a punição do Tribunal Regional Eleitoral foi uma multa de 15 mil reais. Para uma estrutura que opera com bilhões tomados do bolso do cidadão, 15 mil reais é troco de pão. É a precificação oficial do descumprimento legal. Quando a sanção não impede o ato, a multa vira na prática uma licença paga para violar a regra.

Também é revelador o desespero do partido em rotular o evento na Bahia como uma convenção hipotética ou menor. A cúpula governista tenta disfarçar o alcance do encontro para evitar comparações diretas de público com eventos da oposição, como o ato de Flávio Bolsonaro, que lotou o espaço de apoiadores. Quando o estatismo perde o apelo espontâneo nas ruas, ele recorre ao controle de narrativa, à burocracia e ao uso da máquina pública para tentar forçar uma relevância artificial.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O episódio na Bahia escancara a essência do Estado: um monopólio da coerção que impõe regras sufocantes aos indivíduos produtivos enquanto garante salvo-conduto e deboche para quem ocupa o poder central. Leis eleitorais não protegem o cidadão; elas protegem a oligarquia de plantão e garantem o controle do jogo político.

Enquanto você continuar acreditando que tribunais centralizados vão moralizar a política, os burocratas continuarão cometendo ilegalidades ao vivo na televisão e mandando a conta da multa para o seu bolso. Pense nisso, questione o monopólio estatal, defenda sua liberdade individual e não seja cúmplice desse teatro.