BRASIL E MUNDO — Abertura
Conservadores adoram apontar o dedo para o anarcocapitalismo enquanto se abraçam à ilusão de um Estado mínimo que nunca existiu e jamais existirá. O comentarista Leandro Ruschel resolveu publicar um artigo afirmando que o erro do anarcocapitalismo é achar que o contrato substitui a cultura. É aquela velha ladainha de quem finge defender a liberdade, mas surta quando percebe que o indivíduo não precisa de um tutor estatal para gerir a própria vida.
Ele diz que lutar contra o Estado é saudável, mas rejeita o anarcocapitalismo por achar 'radical demais'. A verdade é simples: o avanço tecnológico e o barateamento da informação estão destruindo as estruturas hierárquicas centrais. Nós estamos caminhando para o anarcocapitalismo quer os estatistas queiram, quer não. A economia dita essa mudança, e não os desejos de burocratas ou comentaristas de portal.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Primeiro, Ruschel manda aquela frase clássica: 'eu já fui libertário'. Isso é uma piada. Ninguém deixa de ser libertário. Se você diz que deixou de ser, você simplesmente nunca entendeu o que é liberdade individual ou nunca aceitou o fato de que o Estado é uma gangue criminosa baseada na coerção. Vimos essa mesma historinha com figuras como Rodrigo Constantino e Kim Kataguiri. Eles dizem defender o mercado livre, mas correm de volta para os braços do monopólio da violência assim que a teoria exige coragem moral.
A grande divergência do Ruschel é com o indivíduo soberano, com a linha de pensamento de Murray Rothbard. Ele afirma que a vertente libertária não compreende a importância da tradição e da cultura como forças estruturantes da sociedade. Mas de onde ele tirou que libertários ignoram a tradição? A diferença é que nós não precisamos de impostos — que são roubo — nem de fiscais armados para preservar valores e trocas voluntárias. A cultura surge das interações humanas livres, não da caneta de um político.
Ele critica a premissa de que as relações sociais são fundadas em trocas econômicas voluntárias entre indivíduos. Mas essa é a mais pura realidade histórica. O comércio é a invenção mais tradicional e fundamental da humanidade. É o que diferencia os seres humanos do restante do reino animal. Nós inventamos a linguagem e o dinheiro para podermos comercializar com mais eficiência, e não o contrário. O comércio livre precede o próprio conceito de Estado e de legislação burocrática.
Ruschel defende que as atitudes humanas são guiadas por crenças morais profundas e tenta colocar isso em oposição ao mercado. O que ele não entende é que a própria moralidade ocidental e cristã, como a ideia do perdão para continuar convivendo em sociedade, funciona justamente para permitir que as pessoas continuem cooperando e fazendo negócios sem se matarem. A moralidade pragmática serve à cooperação social voluntária, não ao controle estatal.
A cética visão conservadora de Ruschel acaba tropeçando na própria bússola moral. É o mesmo tipo de análise que vacila em questões geopolíticas elementares, tentando passar pano para regimes agressores ou mantendo uma neutralidade covarde entre o agressor e a vítima, como vemos na postura dele sobre o conflito russo. Quem tolera a agressão estatal no cenário internacional inevitavelmente aceita a coerção estatal dentro de casa. Quem apoia a tirania em qualquer nível não entende o valor da liberdade.
A descentralização promovida pela tecnologia vai atropelar todos esses defensores da burocracia estatal, não importa o quanto chorem. O custo da informação despencou, o que torna as estruturas hierárquicas e os governos pesados cada vez mais obsoletos e ineficientes. A transição para uma sociedade baseada na propriedade privada e em acordos voluntários é um processo econômico inevitável, impulsionado pela própria eficiência do mercado contra a ineficiência do leviatã.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Achar que precisamos de um governo para manter a cultura viva é assinar um atestado de dependência da coerção. O contrato não substitui a cultura; ele é a expressão jurídica da vontade livre de indivíduos aculturados. Enquanto os conservadores continuarem buscando no monopólio da violência a proteção para as suas ideias, continuarão alimentando o monstro que os devora diariamente.
O futuro pertence à liberdade individual, à descentralização e ao livre mercado. Vá se acostumando. Assine o canal, deixe seu like e lembre-se: imposto é roubo e o Estado é uma ilusão que está prestes a ruir. Até a próxima.