BRASIL E MUNDO — Abertura

O teatro estatal é fascinante. Quando a burocracia percebe que um dos seus protegidos pode ser atingido, a engrenagem do monopólio da violência se mexe rápido para inventar atalhos, migués e malabarismos jurídicos. A Polícia Federal abriu formalmente um inquérito contra o Lulinha, mas o bastidor dessa decisão escancara a podridão de como o Estado funciona.

Não pense que esses burocratas acordaram com um desejo repentino de fazer justiça. Eles foram acuados pela pressão do ministro André Mendonça e tentaram aplicar uma jogada suja para tirar a investigação das mãos dele. Só que a manobra deu errado num nível ridículo.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Para você entender a enrolação: a Polícia Federal vinha arrastando os pés há tempos. Queriam empurrar o caso do filho do Lula para o ano que vem, no velho e conhecido ritmo do parasitismo de banho-maria. Só que o André Mendonça enquadrou os funças e exigiu a entrega imediata de todas as evidências, porque as mensagens e documentos deixam óbvio que existe crime ali.

A reação da corporação policial foi imediata. Reclamaram que o ministro estava interferindo no trabalho deles. Olha o nível do sarcasmo: exigir que o funcionalismo público cumpra o seu dever virou interferência indevida. Mas, sabendo que ficaria feio e que responderiam por prevaricação se ignorassem o caso, os burocratas da PF arquitetaram um plano junto à cúpula do Judiciário.

A estratégia foi cirúrgica. A PF esperou o recesso judiciário de julho, quando o comando do STF estava temporariamente nas mãos de Alexandre de Moraes. Enviaram um pedido para abrir um inquérito novo e autônomo, alegando que o esquema envolvendo empresas de canabidiol e o Ministério da Saúde não tinha ligação direta com a fraude do INSS do chamado 'careca'.

Se o ministro Fachin estivesse no plantão, a regra da prevenção manteria o caso com Mendonça. Mas com Moraes na presidência, a tese da PF passou sem questionamentos. Moraes decidiu que o processo era independente e determinou um novo sorteio. O objetivo real era cristalino: retirar a investigação de um ministro incômodo e jogá-la para a maioria alinhada ao Palácio do Planalto.

Só que os burocratas não contavam com a ironia do sistema. O sorteio foi realizado e, entre todas as opções possíveis, adivinha quem sortearem? Exatamente o André Mendonça. O sistema estatal tentou fraudar o destino, fez manobra para blindar o filho do presidente, e a roleta do STF devolveu a investigação exatamente para o mesmo juiz que eles queriam evitar.

As provas acumuladas envolvem a empresa World Cannabis, a empresária Roberta Luxinger, contatos com o operador do INSS e trocas de mensagens diretas com servidores do próprio gabinete do Lula. O esquema de tráfico de influência expõe como o poder político e os negócios privados se alimentam da estrutura estatal, financiada forçadamente pelo seu imposto.

Isso demonstra como o tal 'Estado de Direito' opera na prática. Polícia Federal, STF e Ministério Público não buscam a verdade factual; eles gerenciam conveniências do poder. Quando o alvo é o indivíduo pagador de impostos, a máquina esmaga sem piedade. Quando o alvo toca a família do chefe do Executivo, criam-se pretextos burocráticos, sorteios dirigidos e acertos de bastidor.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Acreditar que uma instituição mantida pelo monopólio da coerção vai julgar a si mesma ou seus aliados com imparcialidade é de uma ingenuidade infantil. Se desta vez a manobra falhou no sorteio, pode apostar que amanhã inventarão outro recurso ou nulidade para engavetar o processo.

Enquanto você trabalha metade do ano para sustentar essa casta inútil, eles usam a máquina pública para negociar a blindagem dos amigos do rei. Imposto é roubo, o Estado é uma gangue e o resto é teatro. Pense nisso, questione essa estrutura e até a próxima.