BRASIL E MUNDO — Abertura
O teatrinho da burocracia estatal é fascinante, não é? A Polícia Federal, essa corporação sustentada com o seu imposto arrancado à força, estava fazendo absolutamente tudo o que podia para segurar a bucha e blindar o filho do chefe supremo da máquina. Falo do Lulinha, o herdeiro do homem de nove dedos. Mas a casa começou a cair quando o ministro André Mendonça resolveu colocar a mão nesse vespeiro e exigir acesso irrestrito às informações da investigação.
A Polícia Federal percebeu que não tinha mais para onde correr. Quando o topo da pirâmide estatal exige os papéis, a burocracia engravatada se vê encurralada. Eles tentaram manobrar, tentaram protelar, mas não teve jeito: a blindagem trincou.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos olhar para o modus operandi dessa máquina. A Polícia Federal vinha aplicando o mais puro e tradicional método burocrático de enrolação: o famoso arrastar de pés. Trocaram a equipe de investigação de área, jogaram o caso de um lado para o outro e aplicaram aquele carimbo em ritmo de tartaruga. Queriam empurrar a sujeira para debaixo do tapete a todo custo.
Chegaram ao absurdo de dar a desculpa esfarrapada de que estavam sem pessoal e que, por causa dessa suposta falta de braço, só teriam condições de investigar o Lulinha no ano que vem. Veja que coincidência conveniente para o calendário político dos parasitas de Brasília. Mas a jogada deu errado quando André Mendonça resolveu interferir e mandar um recado claro cobrando a entrega de tudo o que eles tinham sobre o filho do presidente.
Aí o desespero tomou conta dos corredores de Brasília. Os petistas encastelados no aparelho policial e os jornalistas alinhados entraram em parafuso. A Polícia Federal percebeu que, se mandasse o material para o ministro sem ter aberto formalmente o inquérito, ficaria escancarado para todo o país que a corporação estava agindo deliberadamente como escudo privado para proteger o filho do chefe do Executivo.
Chegaram a cogitar e pedir socorro para a Advocacia-Geral da União, a AGU, numa tentativa desesperada de fazer o órgão intervir contra a determinação do André Mendonça. Só que eles esqueceram do monstro institucional que ajudaram a criar. O STF acumula tanto poder absoluto hoje que simplesmente não existe instituição ou burocrata capaz de conter a canetada de um ministro. Não tem como reverter esse cenário.
Vendo que não havia escapatória e que o cerco tinha se fechado, a Polícia Federal não teve outra alternativa senão abrir o processo de investigação contra o Lulinha pelo crime de tráfico de influência. Não estamos falando diretamente aqui do escândalo do roubo dos aposentados no INSS, mas sim da venda de facilidades e do uso do acesso privilegiado ao poder central.
O esquema envolvia o figurão conhecido como Careca do INSS, que tinha uma operação ligada ao mercado de canabidiol e queria vender e investir esse produto no Brasil. E qual foi o atalho encontrado? Usar o Lulinha para fazer o tráfico de influência. O papel dele era simples: abrir portas. Afinal, para quem é filho do dono do poder, basta uma ligação telefônica para o papai para resolver a vida dos parceiros de negócios.
E as provas acumuladas que a PF tentava esconder são pesadas. Tem o depoimento de Edson Claro, ex-assessor do Careca do INSS, afirmando com todas as letras que o Lulinha recebia uma mesada regular de trezentos mil reais vinda diretamente do Careca.
E para confirmar esse escândalo, há também as gravações da aliada do Careca, Roberta Luxinger. Nos áudios, ao ser questionada sobre a quem se destinava aquele depósito específico de trezentos mil reais, a resposta foi cristalina: o dinheiro era destinado ao filho do rapaz. E ninguém no Brasil é ingênuo a ponto de não saber exatamente quem é o tal rapaz de nove dedos.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Isso é a essência do Estado: de um lado, burocratas pagadores de favor tentando engavetar crimes da elite; do outro, compadrões trocando mesadas milionárias por acesso a decisões governamentais. É a simbiose perfeita entre o dinheiro arrancado do pagador de impostos e os privilégios da corte.
No final das contas, o inquérito só foi aberto porque o próprio sistema estatal entrou em rota de colisão interna. Não existe virtude ou busca por justiça nas instituições públicas, apenas briga de poder e desespero para salvar a própria pele. Fiquem de olho, porque a burocracia só entrega os seus quando o barco ameaça afundar de vez.