BRASIL E MUNDO — Abertura

A Polícia Federal deflagrou uma operação contra o PCO e o seu eterno candidato à Presidência, Rui Costa Pimenta, sob a justificativa de apurar supostos desvios de fundo partidário. Se você acha que por ser ancap eu vou soltar fogos de artifício vendo o braço armado do Estado indo para cima de socialista, você não entendeu absolutamente nada sobre como a engrenagem do leviatã funciona.

Eu não tenho simpatia nenhuma pelo PCO. É uma organização abertamente esquerdista, totalmente socialista, antissemita e politicamente irrelevante, que não conseguiu eleger sequer um único deputado federal na Câmara dos Deputados. Só que quando a polícia e a burocracia estatal avançam contra um partido nanico, o meu alarme contra o autoritarismo acende no ato.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos olhar para os fatos do inquérito. A alegação contra o PCO é que eles teriam destinado verbas públicas do fundo partidário para empresas e pessoas físicas sem capacidade operacional compatível com os serviços contratados. Em bom português: acusam o partido de contratar, por exemplo, uma gráfica de amigos ou familiares para rodar mil santinhos, quando a estrutura do local só conseguiria rodar dez. A apuração tenta transformar isso em esquema criminoso.

Só que existe um detalhe central sobre como a regra estatal funciona: os partidos políticos não são obrigados pela legislação a fazer licitação para torrar o dinheiro arrancado do pagador de impostos. O cacique partidário recebe os recursos públicos e, obviamente, escolhe contratar a gráfica do amigo, do conhecido ou do parente. É exatamente isso o que todos os partidos políticos do Brasil fazem diariamente com o nosso dinheiro roubado.

Se todos os partidos praticam esse mesmo modelo de gasto, e se legendas como o PT e o PL recebem montanhas astronômicas de dinheiro perto do valor insignificante que pinga na conta do PCO, por que o aparato policial resolveu agir exatamente agora contra o Rui Costa Pimenta? A resposta é simples: o PCO está sendo usado como a isca perfeita para criar um precedente jurídico.

Apesar de ser socialista, o PCO cometeu o crime de lesa-majestade de defender a liberdade de expressão irrestrita e comprar briga direta contra o Alexandre de Moraes no passado. Agora, o sistema usa o PCO como um boi de piranha conveniente. Eles criam a falsa narrativa de que a justiça estatal é 'imparcial' e 'pune tanto a esquerda quanto a direita', preparando o terreno para desferir um golpe fatal contra alvos maiores da oposição.

Uma das alternativas abertas para a sobrevivência política do STF e do próprio Alexandre de Moraes é cassar o registro do PL, extinguindo o maior partido de oposição na canetada sob o pretexto de irregularidades financeiras. E se você acha que exterminar partidos inteiros no tribunal eleitoral é uma teoria da conspiração absurda, você precisa estudar a história do teatro político brasileiro.

Na eleição presidencial de 1989, o Silvio Santos decidiu lançar sua candidatura por um partido pequeno. Como a imagem dele perante a população era gigantesca, a vitória dele seria inevitável e varreria a casta política tradicional. Os burocratas entraram em pânico total e deram um jeito de inventar uma irregularidade formal na convocação da assembleia daquela sigla. Resultado? Extinguiram o partido, cassaram o registro e jogaram a candidatura do Silvio Santos na lata do lixo.

Recentemente, nós vimos o ministro Flávio Dino bloqueando as emendas parlamentares controladas pelo Valdemar da Costa Neto no PL. Foi uma manobra tão truculenta e escancaradamente política que até a Procuradoria-Geral da República se posicionou contra a medida, apontando que não era recomendada. Afinal, a indicação da emenda é prerrogativa do deputado individual, não do presidente da sigla. Como aquele ataque ao PL ficou feio e expôs a perseguição contra a oposição, o sistema agora precisa dessa operação contra o PCO para criar uma cortina de fumaça.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Não existe moralidade ou zelo pelas finanças públicas quando o tribunal eleitoral e a Polícia Federal entram em campo; o que existe é a preservação escancarada do poder estatal através do monopólio da coerção.

Hoje a caneta do estamento burocrático atinge a esquerda radical para simular neutralidade, mas o objetivo final é criar o mecanismo perfeito para moer a oposição e qualquer indivíduo que ouse desafiar a tirania dos tribunais. Nunca se esqueça: imposto é roubo, o Estado é uma gangue e a burocracia é o instrumento dos tiranos.