BRASIL E MUNDO — Abertura

Você já imaginou o Estado brasileiro quase derrubar a rede elétrica inteira não por incompetência tradicional e falta de luz, mas por excesso de energia? Pois foi exatamente isso que aconteceu no domingo, dia 23 de agosto. O Operador Nacional do Sistema Elétrico, a famosa burocracia do ONS, teve que acionar o modo de emergência e cortar a geração para conter uma sobrecarga iminente. E o motivo é fascinante: o indivíduo comum está produzindo sua própria energia e quebrando o monopólio estatal.

Isso não é um fato isolado. Foi a segunda vez só este ano que o Brasil viveu essa situação hilária, já que em junho o plano emergencial também foi acionado. E sabe por quê? Porque a burocracia estatal foi desenhada para controlar a escassez, não para lidar com a abundância gerada pela livre iniciativa. Enquanto os planejadores centrais continuam sonhando com obras bilionárias de hidrelétricas e esquemas de subsídios, a população foi lá, instalou painéis solares no próprio telhado e escancarou a obsolescência desse sistema centralizado.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos entender o que rolou nos bastidores desse quase-apagão. Das onze às onze e meia da manhã daquele domingo, o ONS teve que suspender a geração excedente de energia elétrica nas distribuidoras. A justificativa oficial da estatal? Preservar a segurança do sistema diante de um consumo menor no fim de semana. Veja bem, no modelo tradicional e arcaico, a eletricidade precisa ser consumida na exata medida em que é gerada. Se houver pouca oferta, o sistema cai. Mas se houver excesso, a rede pública descarrila porque não tem capacidade de gerenciar a abundância descentralizada.

Historicamente, todo apagão no Brasil sempre foi sinônimo de fracasso estatal na oferta. Faltava água nos reservatórios, quebrava uma linha de transmissão gigantesca, e o consumidor final ficava no escuro pagando bandeira vermelha na conta de luz para custear a ineficiência do governo. Desta vez, e também no caso recente da Espanha, o colapso quase veio pelo motivo oposto. É a chamada geração distribuída. Milhares de cidadãos, cansados das tarifas extorsivas e dos impostos embutidos nas faturas, resolveram tomar as rédeas da própria vida e produzir a própria eletricidade através da energia solar.

Existe um desafio técnico temporário. O pico de geração solar acontece no meio do dia, quando o sol brilha forte nos painéis, enquanto o pico de consumo das famílias ocorre à noite, quando o sujeito chega em casa e liga o chuveiro elétrico ou o ar-condicionado. Há um descasamento de horários, e a energia elétrica ainda é difícil e cara de armazenar em grande escala. Mas adivinhe quem vai resolver essa equação? Não será uma canetada de burocrata em Brasília, tampouco uma nova agência reguladora custeada com o seu dinheiro pago via imposto, que todos sabemos que é roubo.

A solução já está sendo desenhada e aplicada pelo mercado livre através de baterias residenciais, como os sistemas de Powerwall. Quando o preço dessas baterias cair o suficiente, o indivíduo não apenas gerará sua própria luz durante o dia, como armazenará e consumirá à noite, desligando-se completamente da dependência da rede estatal. Isso desmorona a narrativa dos grandes investimentos estatais inevitáveis. Por décadas, os defensores do Estado gigante repetiram o mantra de que só o governo poderia construir infraestruturas energéticas colossais. A realidade do mercado provou que isso é uma mentira conveniente para irrigar empreiteiras amigas do rei.

E tem outro ponto que deixa qualquer burocrata de cabelo em pé: a dificuldade crescente de extorquir o cidadão. Quando a energia vem de uma usina estatal ou de uma concessionária apadrinhada, o governo enfia impostos, taxas e tarifas na sua conta de luz com total facilidade. É a coerção estatal direta na sua fatura mensal. Quando a geração passa a ser distribuída no telhado da sua casa, a fiscalização se torna infinitamente mais complexa e cara para os fiscais do imposto. Eles tentam taxar o sol, tentam inventar regulações, mas a tecnologia avança muito mais rápido que a caneta do parasita estatal.

A descentralização é uma força inevitável da tecnologia. À medida que a informação fica mais barata, mais acessível e distribuída, os custos de transação despencam. O Estado é um dinossauro centralizador e burocrático, desenhado para uma era de monopólios e controle de massas. Quando o cidadão ganha a capacidade tecnológica de produzir o próprio sustento, a própria energia e transacionar de forma direta, o aparato estatal se torna inviável e desnecessário. Não precisamos de utopias perfeitas para ver isso acontecer; basta olhar para a física e para a economia real.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O quase-apagão de domingo é o sintoma claro de um mundo novo empurrando o Estado para a lata de lixo da história. A tecnologia descentralizada sempre vencerá o planejamento central coercitivo. Você não precisa de burocratas ditando quanta energia você pode gerar no seu telhado.

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