BRASIL E MUNDO — Abertura
Mais uma gigante do setor produtivo pede socorro no Brasil, e surpresa para zero pessoas: o rastro de destruição tem as digitais do Estado. A Braskem, a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, aprovou no conselho de administração um pedido de recuperação extrajudicial. Estamos falando de uma dívida colossal de 10 bilhões de dólares, cerca de 56 bilhões de reais. Quando a conta do intervencionismo estatal chega, ela nunca vem barata. O leviatã gasta sem freio, empurra os juros para o topo, sufoca a produção com impostos e o resultado é esse: o setor produtivo sufocado e a economia real pagando o pato.
O público em geral por vezes nem percebe o impacto imediato da Braskem, porque ela não vende diretamente na prateleira do supermercado como uma marca de sorvete ou uma varejista de eletrodomésticos. Mas essa empresa fabrica a base do plástico que está na sua garrafa, no seu computador, na embalagem do seu remédio e em quase tudo o que você consome. Quando o Estado destrói a viabilidade financeira de uma gigante petroquímica, ele não atinge apenas os acionistas. Ele encarece toda a cadeia produtiva e empobrece cada indivíduo que depende do mercado para viver.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Para entender a raiz dessa tragédia, precisamos voltar no tempo. A Braskem nasceu da integração entre a Odebrecht e o Grupo Mariane. Ou seja, ela tem a marca indelével do capitalismo de compadrio da era Lula 1. Naquela época, o governo e suas empreiteiras de estimação achavam que podiam planejar a economia centralmente, comprando tudo e montando conglomerados alimentados por dinheiro público e favores regulatórios. Mas a física do livre mercado é implacável: corporações erguidas sobre muletas estatais e esquemas de influência cobram seu preço anos mais tarde. O resultado desse modelo corporativista é essa bagunça estrutural que vemos hoje.
E qual é o combustível que acelerou esse desastre? A dívida. Mas por que a dívida ficou insustentável? Porque o governo simplesmente não consegue parar de gastar dinheiro que não tem. Para bancar a gastança pública desenfreada e o endividamento do próprio Estado, o Banco Central é forçado a manter a taxa de juros nas alturas. O governo gasta, gera déficit, cria inflação e, para conter a bagunça que ele mesmo criou, eleva o custo do crédito. A empresa produtiva que precisa rolar dívidas no mercado financeiro se vê estrangulada por juros extorsivos. É a irresponsabilidade fiscal do Estado destruindo o balanço de quem realmente produz riqueza.
Como se os juros altos não fossem suficientes, tentar produzir qualquer coisa neste país é um teste de sobrevivência diário. O empresário enfrenta um manicômio tributário onde imposto é roubo em cada etapa da produção. É imposto sobre a matéria-prima, imposto sobre o faturamento, imposto sobre a folha de pagamento. Somado a isso, temos uma legislação trabalhista engessada e uma montanha de burocracia e regulamentação que só serve para sustentar burocratas parasitários. A Braskem precisa competir globalmente vendendo polietileno, polipropileno e PVC no mercado internacional, mas carrega o peso do Custo Brasil nas costas. Nenhuma empresa consegue manter competitividade externa quando o Estado arranca metade do seu caixa em tributos e regras ineficientes.
Para piorar o quadro, o passivo da empresa não é apenas financeiro. A Braskem esteve no centro do desastre ambiental em Maceió, Alagoas, onde a exploração de salgema causou o afundamento de bairros inteiros, deixando milhares de pessoas desabrigadas e bairros inabitáveis. Em 2024, a Polícia Federal indiciou vinte pessoas envolvidas nessa tragédia. E veja a ironia do modelo estatal: as agências reguladoras do governo, que prometem proteger o cidadão e fiscalizar a exploração de recursos, falharam miseravelmente. O monopólio da regulação estatal serve apenas para criar a ilusão de segurança até que o desastre aconteça. Quando o direito de propriedade e a responsabilidade individual são substituídos por carimbos de burocratas, o resultado é a destruição ambiental e social.
Agora, com dívidas acumuladas que atingem 51 bilhões de reais na Braskem e somam impressionantes 130 bilhões de reais quando incluímos as empresas ligadas ao mesmo grupo, o conselho aprovou a recuperação extrajudicial. Esse mecanismo garante um período de proteção de 90 dias sem a intervenção direta do aparato judiciário estatal. Trata-se de uma tentativa desesperada dos credores privados e sócios de renegociarem os débitos por conta própria. Eles sabem muito bem que, se a empresa cair nas garras de um processo judicial demorado e ineficiente, o valor da companhia evaporará de vez e ninguém receberá nada. O mercado privado tenta resolver no diálogo o rombo que o ambiente estatal ajudou a criar.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
A história da Braskem é um resumo perfeito de como o intervencionismo estatal funciona: o governo cria monopólios de compadrio, sufoca o mercado com impostos e burocracia, infla a taxa de juros com gastança irresponsável e, quando a conta chega a R$ 56 bilhões, quem paga o pato é o consumidor final. O Estado nunca produz nada; ele apenas parasita e destrói. Se o Brasil não libertar o setor produtivo dessas amarras estatais, a lista de falências só vai aumentar até 2027. Fiquem ligados, questionem o monopólio da violência e até a próxima.