BRASIL E MUNDO — Abertura
O Estado chinês julgou, condenou e jogou o dono da Evergrande na prisão perpétua. A narrativa oficial do regime de Pequim? Ele é o grande vilão ganancioso que afundou a economia do país e causou o colapso das maiores incorporadoras da China.
Só que essa narrativa é uma fraude estatal grotesca. A culpa do colapso não foi do empresário que tentava desesperadamente salvar a própria empresa. A culpa foi dos burocratas chineses e da famigerada política de três linhas que eles inventaram, destruíram o mercado e depois suspenderam quando viram a desgraça que provocaram.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
O modus operandi é rigorosamente o mesmo em qualquer lugar onde o parasitismo estatal domina, seja no comunismo chinês ou na burocracia brasileira. O funcionário público caga uma regra aleatória e destrutiva na canetada, destrói o ambiente de negócios, sufoca o empreendedor e, quando a conta chega e a estrutura desaba, aponta o dedo para a iniciativa privada. É a transferência perfeita de responsabilidade: a burocracia estatal comete o erro, a sociedade paga a conta e o indivíduo vai preso.
Olhe o absurdo da acusação oficial contra o empresário. Os juízes do Estado afirmaram que ele violou direitos de propriedade e comprometeu a integridade dos funcionários públicos no desempenho de suas funções. Traduzindo do juridiquês autoritário: coitadinhos dos burocratas. Eles criaram uma regulação estúpida que quebrou o setor, mas quem tentou trabalhar no mercado real é que acabou tratado como criminoso para proteger a imagem dos burocratas que causaram a tragédia.
A grande ilusão dos defensores do Estado é achar que um grupo de parasitas trancados em gabinetes tem capacidade de planejar a economia ou guiar uma nação à prosperidade. No livre mercado, o erro de um empreendedor individual tem custo limitado e é corrigido rapidamente pela concorrência. Já o erro estatal é uma catástrofe sistêmica. Quando o governo erra, ele usa o monopólio da coerção para escalar a própria estupidez e arrastar a economia inteira para o buraco.
Essa crise imobiliária na China não surgiu do nada; ela é o resultado direto de distorções provocadas pelo próprio intervencionismo. Como o mercado de ações na China é hiperregulado pelo governo e as ações não valem quase nada, o cidadão comum foi empurrado a investir maciçamente em imóveis como única opção de poupança para o futuro. O Estado estrangulou uma alternativa e inflou artificialmente outra.
A consequência dessa engenharia social planejada por burocratas são as famosas cidades fantasmas chinesas. Milhões de pessoas compraram apartamentos onde ninguém mora, apenas para especular ou tentar proteger o próprio patrimônio. Quando alguém tenta vender um apartamento num aglomerado de prédios completamente deserto, descobre que a propriedade não vale nada porque não há demanda real. Isso é o que acontece quando a caneta do planejamento central substitui a livre oferta e demanda do mercado.
A história da China prova esse ponto sem margem para dúvidas. Na década de 1950, sob a ditadura de Mao Tse-Tung, a ideia socialista de controlar tudo resultou em miséria, desabastecimento e milhões de pessoas morrendo de fome. Foi só quando Deng Xiaoping percebeu a ruína do modelo e permitiu a abertura ao capitalismo que o país gerou riqueza real. Contudo, o germe do controle estatal continuou lá, acumulando poder para intervir e destruir a produção no momento em que a burocracia bem entende.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Não existe regulador estatal iluminado nem intervenção boazinha. Onde quer que o Estado tenha poder para ditar regras na economia, o resultado será incentivos perversos, destruição de riqueza e a busca por um bode expiatório para blindar a casta de burocratas que causou a tragédia.
Se você ainda acredita que o governo existe para proteger o mercado, o caso da Evergrande é o lembrete definitivo: o Estado cria o problema, destrói o indivíduo e depois se declara a solução. Pense por conta própria, inscreva-se no canal e até a próxima.