BRASIL E MUNDO — Abertura
Olá, você que ainda acredita na fábula do Estado protetor! A novela envolvendo o filho do presidente, o Lulinha, e a lobista Roberta Luxinger ganhou mais um capítulo daqueles que escancaram como funciona a engrenagem estatal. A Polícia Federal pegou conversas em que os dois discutiam abertamente a melhor forma de esconder dinheiro das garras da Receita Federal. E adivinha a recomendação expressa da distinta senhora? Mandar tudo para Luxemburgo.
É isso mesmo. A elite que defende o Leviatã com unhas e dentes na hora de espoliar a sociedade corre para guardar o produto do saque em um paraíso fiscal europeu. O leão da Receita serve apenas para esmagar o cidadão comum sem privilégios. Para a patota dos gabinetes, a ordem é burlar a própria máquina de extorsão que eles mesmos ajudam a alimentar.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos aos fatos escancarados pelas investigações da Operação Sem Desconto. Lulinha é alvo de três inquéritos na Polícia Federal por tráfico de influência. Há suspeita direta de que ele recebia uma mesada de trezentos mil reais do operador conhecido como Careca do INSS, envolvido em fraudes contra a previdência. A própria Roberta Luxinger admitiu em entrevista que apresentou os dois, alegando ter sido um gesto de boa educação. Boa educação na linguagem de Brasília, como bem sabemos, significa articular acordos milionários por baixo dos panos.
Os rastros dessa intimidade são claros. A Polícia Federal identificou pelo menos seis viagens conjuntas do filho do presidente com a lobista, com passagens reservadas sob o mesmo código localizador. Viajaram juntos para Portugal em junho de 2024 e percorreram diversos trechos nacionais em 2025. Mas o escândalo real reside nas mensagens trocadas diretamente entre os dois.
Nas conversas apreendidas, Lulinha e a lobista demonstravam total familiaridade com operações envolvendo o INSS e outras estatais, chegando a comemorar o sucesso dos esquemas. Em uma troca de mensagens, quando a lobista pergunta se deve prosseguir com determinada operação, o filho do presidente responde de forma curta e direta: peremptório, pode fechar. Traduzindo do vocabulário dos bastidores: autorização concedida para drenar recursos dos aposentados.
A previdência social, esse monopólio estatal falido que toma metade da renda do trabalhador sob a promessa esfarrapada de aposentadoria, funciona na prática como um balcão de negócios para parasitas do orçamento público. Enquanto o aposentado conta moedas para comprar remédios, os operadores comemoram a conclusão de esquemas burocráticos com mensagens entusiasmadas.
A ironia atinge o ápice na hora de lidar com o produto do saque. Depois de operarem a extração de recursos, o dilema passou a ser onde guardar a bolada fora do alcance da Receita Federal. Nas mensagens que ficaram meses sob análise da PF, Lulinha e a lobista avaliavam formas de blindar o patrimônio contra o fisco. A solução apontada por ela foi Luxemburgo, classificado como um lugar seguro.
A hipocrisia é absurda. O imposto que o Estado extorque da população com a desculpa de financiar serviços essenciais é o mesmo que os cupins do poder tentam sonegar descaradamente quando o dinheiro cai no bolso deles. No fundo, eles compreendem perfeitamente a lógica libertária de que imposto é roubo e a Receita Federal é uma quadrilha de espoliação; a diferença é que eles usam o poder estatal para tomar o seu dinheiro e buscam a liberdade do mercado offshore para desfrutar do saque.
Para fechar o espetáculo com chave de ouro, a peça ganha seu ato final no Poder Judiciário. A mesma lobista Roberta Luxinger postou fotos celebrando com entusiasmo a indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal, chamando o fato de melhor notícia da semana e elogiando a belíssima trajetória do indicado. Pouco tempo depois, o inquérito sobre as fraudes acaba distribuído justamente para o gabinete de Dino.
O teatro do monopólio da violência é perfeito: os agentes políticos operam o esquema, o fisco cobra a conta da população, os recursos vão para paraísos fiscais e, quando a polícia descobre, quem julga o caso é o indicado político do próprio governo. O Estado nunca foi uma instituição neutra de justiça; é uma corporação blindada desenhada para proteger a si mesma e aos seus aliados.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
No fim das contas, a lição de mais esse capítulo da política brasileira é evidente. Toda a retórica de justiça social, defesa dos vulneráveis e necessidade de arrecadação fiscal serve apenas para manter a sociedade acorrentada enquanto a elite governamental comemora lucros e busca abrigo em Luxemburgo.
Não espere justiça de um sistema desenhado para perpetuar o poder dos mesmos burocratas. O Estado não é a solução para a corrupção; ele é a causa primária. Questionem o poder central, recusem a espoliação fiscal e lembrem-se: a única saída contra a coerção estatal é a liberdade individual e a descentralização.