BRASIL E MUNDO — Abertura
Olha o nível do desespero da burocracia estatal quando a água começa a bater no pescoço do poder. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, resolveu apelar para o truque mais patético do funcionalismo público: cobrou que os próprios subordinados assinassem uma nota pública de apoio a ele. É isso mesmo que você ouviu.
Em meio a uma crise escancarada com o ministro André Mendonça, a cúpula da polícia achou que uma cartinha encomendada convenceria alguém de sua imparcialidade. Mas a mim eles não enganam.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos entender o cenário real sem o filtro cor de rosa da imprensa oficial. O ministro André Mendonça é o relator de inquéritos explosivos no Supremo, incluindo o escândalo de corrupção do INSS, o caso do Banco Master e diversas investigações que chegam diretamente no Lulinha, o filho do presidente. Vendo que tentaram fazer manobras para empurrar casos estratégicos para outros lados, Mendonça resolveu fazer o básico: acompanhar de perto e exigir andamento célere, evitando que os inquéritos fossem arrastados para o esquecimento.
E como o aparato estatal reagiu ao ver que não conseguiria engavetar pacificamente os escândalos que incomodam o palácio do governo? Entrou em pânico. O diretor Andrei Rodrigues simplesmente exigiu que todos os vinte e sete superintendentes regionais da Polícia Federal assinassem um manifesto público reafirmando confiança na sua gestão e cobrando 'preservação da independência técnica'.
Analise a lógica dessa palhaçada burocrática por um segundo. Todos os vinte e sete superintendentes foram indicados para os cargos pelo próprio Andrei Rodrigues e dependem exclusivamente da vontade dele para continuar onde estão. Se um deles se recusasse a assinar esse papelucho, seria exonerado no minuto seguinte. Que valor moral ou técnico tem uma declaração de apoio emitida por quem é subordinado direto e pode ser demitido com uma canetada? Vale absolutamente nada.
No mercado livre, a aprovação vem do consentimento voluntário dos indivíduos, de clientes satisfeitos que não devem nada a você. No Estado, essa encenação expõe apenas o funcionamento do monopólio da violência e da vassalagem hierárquica: a chefia manda, os burocratas obedecem e o contribuinte paga a conta da farsa. Eles ainda citam os oitenta e dois anos de história da instituição para tentar pintar uma aura de idoneidade intocável, como se o carimbo estatal os tornasse sagrados.
E, claro, para completar o teatro, a imprensa militante correu para socorrer a narrativa oficial. Vimos colunistas tradicionais, como Miriam Leitão, acusando o ministro André Mendonça de causar uma 'distorção institucional' apenas por fiscalizar a condução das investigações sobre o INSS e o Banco Master. A hipocrisia é tão escancarada que beira o cômico.
Quando o ministro Alexandre de Moraes usava e abusava do aparato policial para perseguir opositores políticos, atropelando garantias e instaurando inquéritos abusivos, essa mesma imprensa aplaudia de pé e pedia mais rigor contra os inimigos do regime. Naquela época, ninguém falava em 'distorção institucional'. Mas agora que um magistrado exige andamento rígido em processos de corrupção envolvendo aliados do governo, a burocracia se sente melindrada e a grande mídia chora em defesa do coitadinho do diretor da PF.
Isso demonstra, mais uma vez, o incentivo perverso inerente a qualquer estrutura estatal monopolista. A Polícia Federal não é uma entidade neutra ou divina; é um braço burocrático do Estado mantido por impostos espoliados da população. E quando as apurações ameaçam a estabilidade da casta política dominante, o sistema se fecha para proteger os seus, usando a imprensa como linha de defesa e notas oficiais como cortina de fumaça.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Cartinha assinada por burocrata sob ameaça de demissão não limpa a imagem de ninguém e não esconde o pavor do governo diante de investigações reais. Quando o Estado precisa apelar para encenações mambembes para fingir coesão interna, é sinal claro de que o castelo de cartas está balançando.
E você, ainda acredita na imparcialidade do monopólio estatal das investigações? Deixe seu comentário, se inscreva no canal e até a próxima.