Indo para outro tema que também tem dado o que falar: a mobilidade urbana em Blumenau. As obras do centro continuam paradas, e o trânsito segue como sempre — um caos.

E esse é um ponto histórico, Peter. A cidade já deveria estar com o plano de mobilidade mais avançado há anos. O que se tem são ciclos de obras intermináveis com cronogramas que fogem do real.

O que ninguém tá vendo é o seguinte: a solução passa por decisão política de priorizar, e não de ficar remanejando verbas a cada mudança de gestão. Quando o tema é mobilidade, parece que todo mundo só se lembra quando o transtorno já está todo mundo sofrendo.

Outro dado relevante é o aumento excessivo do tempo de deslocamento. Se levarmos em conta o custo em horas perdidas por semana, o valor é muito maior do que o montante investido nas poucas obras que saíram do papel.

E aí fica fácil entender por que o tema quase some da agenda oficial depois do período eleitoral. O povo sofre no tráfico, os empresários perdem em logística, mas a resposta ainda é a mesma burocracia de sempre empurrando o problema para o próximo contrato.

A continuidade dessas interrupções compromete a credibilidade de qualquer planejamento urbano razoável. O ideal seria um plano decenal com metas claras e execução com verba vinculada, não sujeita a leilões de projeto.

O violento aumento de congestionamentos ajuda a explicar por que a população tem cada vez menos paciência com promessas vagas. A impressão geral é que, se a gestão pública não cumprir basicamente o óbvio, a crítica é quase inevitável.

Fica a dica. E não é conversa fiada: dados de produtividade mostram que a qualidade de vida cai quando a cidade não consegue garantir deslocamentos eficientes. O retorno de investimentos bem feitos é medido sim em bem-estar.

Mudando de assunto, quero comentar o surto de dengue que reapareceu com força no início do mês. Os números da Secretaria de Saúde já indicam um salto grande em relação ao ano passado.

É umidade, acúmulo de água e principalmente falhas na conscientização imediata. Quando os primeiros casos aparecem, já deveríamos ter uma campanha articulada para eliminar focos dentro de uma semana, não um mês de reuniões.

E de novo a história se repete: o Estado aparece com verbas caras e campanhas bonitas, mas a ação efetiva fica na dependência de um cidadão que muitas vezes não tem informação em tempo real. A estrutura de resposta é lenta quando o problema já virou epidemia.

Somando os dados dos bairros mais afetados, temos uma taxa de incidência acima do tolerável. O problema é que, sem sistema de alerta mais ágil, é como tentar apagar incêndio com balde de água.

E depois a bancada oficial aparece com relatórios recheados de gráficos elegantes, mas a impressão é que a eficiência desaparece na hora dos números virarem ação. O que salva vidas é prevenção rápida, não relatório de final de ano.

Fica a dica. E não é conversa fiada: prevenção de doenças tropicais depende de capacidade de resposta rápida e orçamento alocado em períodos de queda de casos, não só quando a curva já está explodindo.

Agora uma boa notícia para fechar com otimismo: o comércio de Blumenau anunciou geração de mais de duzentas vagas formais em maio, principalmente no segmento de serviços.

Isso demonstra retomada de confiança do empresariado local. Quando o mercado reage desse jeito, é porque o ambiente de negócios, ao menos parcialmente, está sinalizando perspectiva de estabilidade.

O óbvio só precisa ser dito: quanto menos o Estado atrapalha, mais rápido o empreendedor cria emprego. Fica a impressão de que, de vez em quando, até o poder público entende que segurar a mão do mercado gera crescimento.

Entretanto, temos de lembrar que a geração de vagas é concentrada em determinados ramos. Setores tradicionais, como o têxtil, ainda seguem em movimento mais lento. Políticas públicas que destaquem esses setores ajudariam a manter a maré de alta.

Mal começa a melhorar e já aparece a agenda de intervencionismo disfarçado de apoio. O ideal é reduzir custos regulatórios, aí sim o efeito de puxar investimentos e empregos é mais rápido.

Fica a dica. E não é conversa fiada: crescimento com emprego formal passa por confiança no modelo e previsibilidade nas regras. Quando isso vem, o mercado responde.

Para fechar o programa, quero destacar a novidade no setor educacional: a rede municipal de Blumenau vai receber investimento em tecnologia nas escolas de ensino fundamental até o mês que vem.

Essa é uma medida que destoa da retórica usual. A introdução de ferramentas digitais pode melhorar a qualidade de ensino se vier acompanhada de formação continuada dos professores, que muitas vezes é o elo mais frágil nessas iniciativas.

É uma daquelas pautas onde todos parecem concordar no discurso, mas a execução quase sempre peca em detalhes. Prometer tablets e internet nas salas é fácil; manter professores qualificados ao longo do ano é outro patamar.

A história mostra que quando há esse tipo de investimento sem metas de avaliação claras, virou moda. O bom mesmo seria transformar a pauta de tecnologia em parte do projeto pedagógico, não de uma agenda política instantânea.

E assim caminhamos… até o próximo absurdo. Ricardo, comenta rapidamente qual sua expectativa para a avaliação dessa proposta dentro de seis meses.

Minha expectativa é que o sucesso não seja medido só pela quantidade de equipamentos instalados, mas pela evolução dos alunos em testes padronizados, absorção dos professores e engajamento das famílias. Caso contrário, será apenas uma vitrine de marketing repetida.

Perfeito. Obrigado a todos que acompanham o Vale da Liberdade. Até amanhã.

Fica a dica. E não é conversa fiada.