MANCHETES DO DIA

1. Blumenau cria Secretaria de Segurança Pública após escândalo com vigilância armada nas escolas

2. CPI do esgoto aponta rombo de R$ 400 milhões em Blumenau

3. El Niño ganha força e Blumenau acende alerta para fortes chuvas

4. Mãe e filha morrem em acidente na BR-101 em Itajaí

5. Obra de R$ 1,9 milhão transforma cartão-postal de Blumenau em complexo turístico

6. Supersafra de soja pode mudar o mercado imobiliário catarinense

7. Investigados por corrupção em Blumenau ironizam prisão: "Levo as cigarrilhas na cadeia"

8. Idosa de 98 anos anula multa de trânsito na Justiça

9. Blumenau sediará a primeira competição mundial de cerveja não alcoólica

10. Feira da Amizade bate recorde e movimenta mais de R$ 2 milhões

11. Enem: inscrições fecham nesta sexta-feira

12. PEC do fim da escala 6x1 é aprovada na Câmara

13. STF decide que juízes e ministros condenados perdem cargo e salário

Ricardo, a primeira notícia já começa mostrando que em Blumenau, quando a coisa fica preta, o prefeito responde com... uma nova secretaria.

É a clássica receita: problema aparece, governo cria estrutura. O Egidio transformou a Secretaria de Gestão Governamental em Secretaria de Segurança Pública, e colocou o Alexandre de Vargas, ex-presidente do Samae, no comando.

E o que ninguém tá vendo é o seguinte: a bomba estourou depois da polêmica da vigilância armada nas escolas. Conselho, audiência, pressão da sociedade — e a solução foi burocrática.

Eu vejo diferente. A segurança escolar é um problema real. Se a nova secretaria coordenar políticas de prevenção, não só de guarda armada, pode ser evolução. O perigo é virar paliativo.

Mais uma da série: "O Estado resolve e te cobra depois."

Não é bem assim. O risco é que a segurança pública municipal acabe refém de vaidades políticas. Vargas não é da área de segurança — é da água.

Exato. E enquanto administradores trocam de cadeira, escolas continuam sendo espelhos do descaso.

Concordo que a transição de perfil preocupa. Mas vamos esperar: com orçamento e autonomia, a secretaria pode funcionar. O que não pode é virar só mais um cargo comissionado no organograma.

Vamos ver daqui a seis meses se a polícia municipal já nasce armada ou se o foco é realmente prevenção.

Agora segura essa: a CPI do esgoto de Blumenau, aquela que todo mundo já tinha dado como enterrada, ressuscitou com um rombo de R$ 400 milhões.

Não é surpresa. O contrato já vinha sendo questionado há anos. Agora o Ministério Público abriu inquérito formal para apurar o contrato do esgoto. Isso significa que tem dolo, não só incompetência.

E os Investigados por corrupção em Blumenau, enquanto isso, ironizaram a prisão: "Levo as cigarrilhas na cadeia". Gente, eles tão rindo da nossa cara.

Essa atitude mostra o sintoma de um sistema onde a punição demora tanto que o processo já vira piada. O prejuízo de R$ 400 milhões não é só número — é asfalto que não sai, obra que não termina, rio que continua poluído.

E o contribuinte paga a conta duas vezes: pelo esgoto que não funciona e pelo processo que vai arrastar por uma década.

Aqui entra a diferença entre investigação e punição. O MP está fazendo a parte dele. Agora cabe ao Judiciário não deixar este caso virar arquivo morto como tantos outros.

Eu aposto que daqui a um ano a gente continua falando do mesmo contrato, com os mesmos personagens, só que com novos advogados.

Olha, eu prefiro acreditar que o cenário de accountability está mudando — ainda que devagar. Se o rombo for confirmado e houver condenação, é sinal que o sistema funciona.

Vamos acompanhar. Enquanto isso, o El Niño ganha força e Blumenau acende o alerta para fortes chuvas. EntãoPrepare o guarda-chuva — e o saco de areia.

O El Niño confirmado já mobilizou a Defesa Civil do Estado. E não é só Blumenau: Santa Catarina toda está no radar de instabilidade nos próximos meses.

E a previsão é de chuva forte, não garoa de consolation. Dados oficiais já sinalizam risco de alagamentos em áreas que historicamente sofrem — como a pontilhada da Garcia e o centro.

A Defesa Civil estadual reforçou o monitoramento. Isso é bom, mas o que ninguém tá vendo é que a preparação individual também conta: limpar calhas, não construir em áreas de risco, não achar que “dessa vez não vai ser comigo”.

E quando a chuva chegar, quem sempre se fode é o morador de área inundável, não o dono do terreno seguro no morro.

Exato. E é justamente por isso que políticas de urbanismo e ordenamento territorial são essenciais. Blumenau cresceu sem controle, e agora paga o preço.

Outra da série: "O Estado resolve e te cobra depois." Neste caso, ele resolve quando cai o temporal, e a conta quem paga é o morador de várzea.

Mãe e filha morrem em acidente na BR-101 em Itajaí — e os motoristas enfrentaram filas quilométricas. Uma tragédia dupla: a perda humana e o caos no trânsito.

A BR-101 é uma das rodovias mais movimentadas do país, e acidentes fatais ali não são novidade. O que chama a atenção é que as duas vítimas estavam a minutos de chegar ao trabalho. A vida acaba num instante.

E quem paga o pato é a população que fica horas parada enquanto a polícia científica trabalha. A infraestrutura rodoviária está no mesmo nível de antes: precária.

Até hoje a concessão da BR-470 está em discussão — R$ 6,45 bilhões em jogo, com debate realizado essa semana em Blumenau. Seis pontos de pedágio podem ser instalados.

Claro. A solução oficial para a falta de investimento é sempre mais pedágio. Quem paga é o motorista, não o governo que não entrega o combinado.

A concessão privada, se bem fiscalizada, pode trazer eficiência. O problema é o modelo de pedágio excessivo e a ausência de transparência nos contratos.

Olha o histórico de concessões em SC: prometem asfalto novo, entregam pedágio caro e manutenção que demora anos. O usuário é que é o verdadeiro investidor.

Eu não nego que existam riscos no modelo privado. Mas também não nego que o Estado, sozinho, não tem caixa para bancar tudo. O meio-termo é fiscalização severa e reajustes vinculados à qualidade.

Vamos ver. Quando o primeiro pedágio subir, a população vai lembrar deste debate.

Agora segura essa: um investimento de R$ 1,9 milhão vai transformar um cartão-postal de Blumenau em complexo turístico. Pelo menos uma notícia boa, né?

É obra que valoriza a cidade. Mas vamos contextualizar: R$ 1,9 milhão é pouco para um complexo turístico de médio porte. Se o dinheiro for público, é legítimo questionar se esse valor dar conta do recado.

E se der certo, daqui a dois anos a administração atual vai usar o complexo como propaganda. Se der errado, vira mais um elefante branco.

O risco de elefante branco existe em qualquer obra pública. O que diferencia é a gestão pós-construção. Se o local for dado à população e tiver manutenção constante, é investimento. Se for só para inauguração com foguetório, é desperdício.

E o cartão-postal já historicamente sofre com falta de cuidado. Vamos ver se desta vez o dinheiro entra e o resultado fica para a população — e não para uma meia dúzia de fotos oficiais.

Ficamos com as notícias de Blumenau, mas não podemos esquecer o resto do Vale e do Estado.

Vamos rapidamente, porque o tempo é curto. Primeiro: investigados por corrupção em Blumenau ironizaram prisão. Segundo: uma idosa de 98 anos anulou uma multa de trânsito na Justiça — e isso mostra que o sistema, quando funciona, funciona para todos.

Esse caso da idosa é simbólico. Se um cidadão de quase 100 anos conseguiu provar que a multa era absurda, quantos outros não conseguem por simplesmente não saberem recorrer?

É a diferença entre a lei no papel e a lei na prática. A sentença destaca que o caso envolve interesse do menor, mas também sinaliza que a defesa, quando bem fundamentada, vence.

E eu apostaria que a Prefeitura que multou a senhora não vai aprender a lição. Continua lançando autuações automáticas sem revisão humana.

Agora uma que vem do mundo dos negócios: a supersafra de soja de 2026 pode mudar o mercado imobiliário catarinense. Mais grãos, mais dinheiro circulando, mais gente procurando imóveis.

É uma correlação econômica clássica: aumento de renda no campo impulsiona demandas urbanas — moradia, comércio, serviços. Santa Catarina, com seu polo agrícola forte, pode ver valorização em várias cidades médias.

E quem tem imóvel no Alto Vale ou em Blumenau já deve estar olhando o preço do metro quadrado com outros olhos.

A valorização imobiliária não é necessariamente má: sinal de desenvolvimento. O perigo é a especulação pura, que afasta moradores de suas próprias cidades.

E o Estado, em vez de regular e incentivar moradia popular, fica olhando o mercado subir. Mais um caso onde a mão invisível dá uma cambalhota.

E a política nacional? O fim da escala 6x1 foi aprovado na Câmara. E o STF decidiu que juízes e ministros condenados perdem cargo e salário.

A PEC da escala 6x1 é uma vitória da sociedade. Santa Catarina teve deputados dos dois lados, mas no fim a redução da jornada passou. Agora o Senado é o próximo obstáculo.

E quando o Senado aprovar, os empresários vão gritar que a economia vai quebrar. Sempre foi assim quando se reduziu a jornada: o mundo não acabou.

A história mostra que a produtividade compensa a redução de horas. Mas é fundamental que a transição seja negociada, setor por setor, para não gerar desemprego.

E o STF? Manda brasa: juiz condenado, adeus cargo e salário. Antes, a punição máxima era aposentadoria com vencimentos integrais.

Isso endurece o regime de responsabilidade para magistrados. Eu apoio: quem ocupa cargo público deve ter segurança na vida privada, mas não na atividade pública — especialmente quando há condenação criminal.

A única ressalva é que o STF já foiCPIado também. Vamos ver se a regra vale para todos, ou se tem sempre uma exceção para quem tem foro.

O importante é a sinalização institucional. E para o cidadão comum, a mensagem é clara: ninguém está acima da lei — nem mesmo quem a aplica.

E fora do noticiário político, uma boa: Blumenau vai sediar a primeira competição mundial de cerveja não alcoólica. Quem diria que a cidade das cervejarias iria liderar também na versão sem álcool?

É inovação e mercado. A tendência mundial é de bebidas com menor teor alcoólico ou zero álcool. Blumenau já é referência em cerveja artesanal — agora pode ser também na versão saudável.

E a Feira da Amizade bateu recorde e movimentou mais de R$ 2 milhões. Evento tradicional que aquece a economia local. Quando a sociedade civil organiza, o Estado sobra.

O recorde de público e receita mostra que festas tradicionais, bem geridas, sobrevivem sem depender de dinheiro público. A Festitália também está em andamento — e parece ser um exemplo de que cultura e economia andam juntas.

Só não entendi por que a prefeitura ainda bancaria parte de eventos milionários se a iniciativa privada está dando conta.

Porque cultura é investimento, Peter. Mas concordo: a transparência no repasse de recursos públicos para festas deve ser maior.

Sempre tem um contrato suspeito que faz a festa acabar mal.

E para fechar: as inscrições do Enem fecham nesta sexta-feira. Se você ou alguém da sua família ainda não se inscreveu, corre — porque depois do prazo, não tem apelação.

O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no país. Ao mesmo tempo, o Inep negou mudança nos critérios de correção da redação, mas estuda usar IA para agilizar a divulgação das notas. Transparência e tecnologia — desde que a correção continue valendo a pena.

Estudantes protestaram por mais transparência na correção e acesso aos dados das provas. Quem paga pelo sistema tem direito a saber como é julgado.

O uso de IA para correção é um debate que vai continuar. A ferramenta pode agilizar, mas o olhar humano continua insubstituível — especialmente na redação.

E não se esqueça: quem está isento precisa confirmar a participação também. É muita gente que deixa vencer o prazo por descuido, e depois vem chorar.

Hoje o show teve de tudo: segurança pública reinventada por decreto, corrupção rindo da própria cruz, El Niño ameaçando, tragédia na BR-101, complexo turístico prometido, supersafra mexendo com imóvel, idosa vencendo o poder público, cerveja sem álcool, festa com dinheiro na mão e Enem na reta final.

O resumo é que Santa Catarina está entre o desenvolvimento e o desmantelamento — como sempre. O que decide é a soma de fiscalização, accountability e participação da sociedade.

E assim caminhamos… até o próximo absurdo.

Fica a dica. E não é conversa fiada.