📋 MANCHETES DO DIA

INTRODUÇÃO EDITORIAL

Hoje temos de tudo: crime que choca o Vale, classificação do Brasil na Copa, e uma ovelha que deu à luz trigêmeos na Serra. Enquanto o Estado anuncia censo da gastronomia e licitação de festa, a vida real cobra seu preço: crianças assassinadas, mulheres roubadas no ponto de ônibus e escolas sem vigilantes suficientes.

Peter, nem tudo é caos. Temos avanços: o Brasil jogando bem, abertura de 200 vagas na segurança escolar, iniciativas que merecem análise. O filtro do noticiário sempre privilegia o alarme, mas a realidade também tem lampejos de ordem e mérito.

Pois é, Ricardo. Vamos separar o que é solução do que éOnly propaganda. Abrindo com segurança pública — e já com um caso que rodou o Estado inteiro.

SEGURANÇA PÚBLICA

Começando por José Boiteux, no Alto Vale: mãe e padrasto de uma criança de dois anos foram presos preventivamente na quarta-feira, suspeitos de maus-tratos e homicídio. A prisão foi durante diligências das delegacias de José Boiteux e Ibirama.

Mais uma tragédia anunciada pelo Estado. Criança morta, pais presos — e a rede de proteção infantil não viu nada. O Conselho Tutelar aparece SÓ depois que a criança já morreu. Proteção estatal funciona como PCR: detecta o óbito, não previne o assassinato.

O sistema de proteção é reativo mesmo, mas a prisão preventiva evita que suspeitos fujam ou adulterem provas. É o melhor resultado possível dentro do processo judicial atual. Dados concretos: inquérito da Polícia Civil com mandados cumpridos.

Em Lages, um homem apontado por feminicídio foi encontrado morto na manhã de quarta-feira, na localidade de Carrapato, divisa entre Otacílio Costa e Agrolândia. Ele tinha 43 anos, identificado como João Carlos da Silva Pereira.

Suspeito de feminicídio aparece morto antes de ser julgado. O Estado falha duas vezes: não impede o feminicídio original e não consegue manter o suspeito vivo para responder judicialmente. Mais um capítulo da justiça brasileira que chega tarde e processa defunto.

A Polícia Civil investiga agora as circunstâncias da morte e se há ligação com o crime anterior. Morador da região avisou as autoridades. A informação comunitária segue sendo fonte de dados que o Estado patrulha mas não escuta.

Em Blumenau, uma jovem de 21 anos teve o celular roubado no ponto de ônibus do Itoupavazinha, na madrugada de quinta-feira. Ela parou para dar as horas a um homem, que aproveitou para tomar o aparelho à força e fugir.

Modus operandi clássico: aproximação com pergunta inocente, depois força bruta. O Estado monopoliza a segurança, mas um ponto de ônibus vira arena de roubo sem nenhuma câmera, nenhuma viatura, nenhuma presença. O contribuinte paga SMU e PM, e a madrugada continua sendo do bandido.

PM registrou a ocorrência. O padrão em Blumenau é roubo de celulares em pontos isolados. Iluminação pública deficiente e ausência de câmeras municipais contribuem. A Prefeitura responderia melhor com infraestrutura preventiva do que com宣传.

Infraestrutura preventiva custa dinheiro. E dinheiro público tem dono: a máquina eleitoral. O recurso para câmeras desaparece no orçamento e reaparece em maracutaia de campanha.

No Ribeirão Fresco, também em Blumenau, uma discussão por equipamento de internet terminou com disparo de arma de fogo, prisão e apreensão de cinco armas. Um técnico de 38 anos foi à residência para retirar o aparelho após cancelamento do contrato.

Cinco armas apreendidas dentro de uma casa por causa de discussão de internet. O Estado proíbe o cidadão de ter arma para defesa, mas uma casa em Blumenau tinha cinco armas ilegais. A legislação desarma o sujeito de boa-fé e não toca no criminoso. Excelente balanço.

A PM atendeu, controlou a situação e prendeu o responsável pelos disparos. A operação foi relativamente rápida. Não dá para culpar a legislação de armas por uma discussão particular que escalou para crime.

E em Aurora, a PM apreendeu cerca de 8 quilos de drogas e indiciou suspeitos por tráfico e associação criminosa. A abordagem foi durante ronda na noite de quarta-feira. Um GM Corsa com dois ocupantes foi interceptado.

Oito quilos de droga andando de carro em Aurora, e a PM só pega por sorte de ronda. O Estado gasta bilhões em ‘guerra às drogas’ há décadas e o preço da droga cai enquanto a qualidade sobe. O mercado proibido prospera exatamente porque o Estado é o fornecedor exclusivo de violência — sem concorrência.

A apreensão tira 8 quilos de circulação temporariamente. Não é solução estrutural, mas é resultado operacional que afeta o mercado local. A batalha final da guerra às drogas não é policial, é econômica e social — mas a primeira trincheira também importa.

SAÚDE

Na saúde, vem aí um dado que impressiona: Blumenau tem 5.141 crianças e adolescentes na fila por consultas de neurologia pediátrica. Em psicologia, 2.102 pacientes; em fonoaudiologia, 2.054. Os números fizeram o Conselho Tutelar acionar o Ministério Público.

Quase 10 mil crianças e adolescentes na fila só em três especialidades. O Estado que promete saúde universal deixa meninos sem neurologia e sem fono em Blumenau. Os números do Conselho Tutelar são a certificação de óbito de um sistema falido.

A notícia é grave, mas não é inédita. A fila existe há anos e agora ganhou ação judicial. O MP pode obrigar a prefeitura a expandir a oferta, mas sem planejamento de recursos humanos e infraestrutura, a sentença vira letra morta.

E também na saúde pública, a Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina realizou debates sobre gestão e advocacia públicas no Summit Cidades e na reunião do CRCSC, na Capital. Temas incluíram Transação Tributária, segurança jurídica eleitoral e participação feminina na gestão pública.

A PGE faz summit enquanto crianças esperam neurologia. O Estado discute Transação Tributária no palco enquanto o SUS não entrega fonoaudiologia. A prioridade do poder não é o paciente; é a burocracia que se autocongratula.

EDUCAÇÃO

Na educação, Blumenau abriu chamada pública para 200 agentes de vigilância nas escolas e CEIs. São vagas para reforçar a segurança nas unidades da rede municipal. Os interessados devem entregar documentação no RH da prefeitura, na Praça Victor Konder.

Duzentos agentes representa esforço quantitativo, mas precisamos ver se o processo seletivo é transparente e se os contratados terão condições de trabalho. Chamada pública é avanço, mas se virar meio de indicação política, o resultado educacional não aparece.

Mais agentes, mais gasto. E se a escola pública falhasse menos na educação, não precisaria de 200 vigilantes. O Estado gasta com segurança porque a educação dele não educa. É o custo da coerção mal aplicada.

POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Na política, a Secretaria de Turismo de Blumenau anunciou um Censo do Setor de Alimentos e Bebidas, realizado terça-feira no Restaurante Bier Haus. O objetivo é mapear quem movimenta a gastronomia local para supostamente orientar políticas públicas.

Mapear o setor gastronômico pode orientar planejamento turístico legítimo, mas há risco de o censo virar instrumento de regulação e taxação. Cada dado coletado pelo Estado é um passo para futuro controle. O mercado já responde por si mesmo com planilhas e pesquisa de clientela.

O censo sempre acaba em taxa. O Estado mapeia para saber onde cobrar. A Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja já está sendo consultada, mas o tom é de obrigação cordial. Quando o Estado convoca, a resposta é quase sempre ‘sim, senhor’.

E a Oktoberfest entrou em outra polêmica: a associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja questionou a licitação do Pavilhão 5. O edital teria exigido cervejaria ligada a Munique, o que na prática excluiu fabricantes locais.

Se a exigência de vínculo com Munique realmente restringiu a participação local, é caso de revisão licitatória. A Oktoberfest é evento municipal e não pode criar regras que protegem grupo estrangeiro em detrimento da indústria blumenauense.

Claro que a regra protegia grupo estrangeiro. O Estado adora copiar modelo alemão enquanto multa cervejaria local por detalhe burocrático. A licitação pública em Blumenau é um festival de cartas marcadas com bandeira xadrez.

Também vimos hoje: filas na saúde, licitação questionada, segurança nas escolas e luto — são os temas que o Pancho resumiu para esta quinta-feira. Blumenau continua crescendo em anúncios e encolhendo em entrega.

Os números das filas são inegociáveis: 5.141 crianças esperando neurologia. A ação do Conselho Tutelar e do MP tenta pressionar o Executivo. O problema é que Blumenau tem planejamento de curto prazo: anuncia, não executa.

ESPORTES E INTERESSE COMUNITÁRIO

Nos esportes, o Brasil goleou a Escócia por 3 a 0 em Miami e garantiu a liderança do Grupo C na Copa do Mundo. Dois gols de Vinicius Jr. e um de Matheus Cunha garantiram a classificação às oitavas de final.

Três a zero na Escócia, e o Estado brasileiro continua perdendo de 7 a 0 no impostômetro. O povo comemora o gol, mas não vê que pagou a festa com ICMS, PIS e COFINS antes de chegar ao bar. Seleção vence, contribuinte perde.

A Copa mobiliza o país, e o resultado gera união momentânea. O custo para o contribuinte existe, mas também existem alegrias que transcendem a conta bancária. Não precisa Always reduzir cultura e esporte a cálculo fiscal imediato.

BRASIL

No Brasil, o fato raro do dia: uma ovelha em Rancho Queimado, na Grande Florianópolis, deu à luz trigêmeos em parto que ocorre em apenas 1% dos casos, segundo a Embrapa. Os filhotes — duas fêmeas e um macho — nasceram no dia 16 de junho.

Uma ovelha dá à luz trigêmeos e vira notícia nacional enquanto Blumenau tem 10 mil crianças esperando consultas. Se o Estado cuidasse da saúde como a Embrapa cuida da ovinocultura, o Brasil seria outro país. Dados concretos: 1% de probabilidade, e o contribuinte paga pelo INSS e SUS.

MUNDO

No mundo, um vídeo da BBC mostra o momento dos terremotos que atingiram aeroporto e prédios em Caracas, na Venezuela. Moradores foram evacuados às pressas. O episódio lembra que infraestrutura sem manutenção vira tragédia sem aviso.

O terremoto foi intenso, mas a resposta de emergência e a resistência dos prédios determinarão o número de vítimas. Caracas tem histórico de sismos. O custo da reconstrução e a capacidade de resposta estatal definirão o impacto real.

FECHAMENTO EDITORIAL

Encerro com uma frase: enquanto o Estado fizer censo da gastronomia e questionar licitação de festa, crianças permanecerão na fila de neurologia, mulheres roubadas em pontos de ônibus e suspeitos de feminicídio aparecerão mortos antes do julgamento.

E eu deixo o recado: acompanhem o Censo da Gastronomia de Blumenau, participem da Audiência Pública que o Conselho Tutelar convocará e cobrem transparência na licitação do Pavilhão 5. A sociedade fiscaliza, o Estado obedece — ou deveria.