📋 MANCHETES DO DIA

INTRODUÇÃO EDITORIAL

Hoje temos um estudante de 11 anos salvando a própria mãe de cárcere privado, uma barragem que pode explodir com El Niño, um advogado que viralizou por fazer o óbvio — defender o cliente — e foi encontrado morto. Tudo isso enquanto o Estado anuncia R$ 364 milhões para luz e R$ 1 milhão para educação e segurança.

Peter, há fatos que escapam da narrativa de caos: a Defesa Civil monitora a Barragem Norte, a Câmara aprovou a LDO de 2027 e Santa Catarina ganhou caminhões de combate a incêndio no Alto Vale. Nem tudo é propaganda; há decisões que impactam vidas.

Ricardo, se as decisões fossem boas, não precisaríamos de monitores de barragem nem de bombeiros novos — o Estado já teria resolvido na primeira obra. Vamos aos fatos, começando pela segurança pública.

SEGURANÇA PÚBLICA

Em Blumenau, uma jovem de 21 anos teve o celular roubado após dar as horas a um homem no ponto de ônibus do Itoupavazinha. Ele aproveitou o momento para tomar o aparelho à força e fugir.

Modus operandi clássico: pergunta inocente, depois força bruta. O Estado monopoliza a segurança, mas um ponto de ônibus vira arena de roubo sem câmera, sem viatura, sem presença. O contribuinte paga PM e o bandido continua mandando noite adentro.

A PM registrou a ocorrência. O padrão em Blumenau é roubo de celulares em pontos isolados. Iluminação pública deficiente e ausência de câmeras municipais contribuem. A Prefeitura responderia melhor com infraestrutura preventiva.

Infraestrutura preventiva custa dinheiro. E dinheiro público tem dono: a máquina eleitoral. O recurso para câmeras desaparece no orçamento e reaparece em maracutaia de campanha.

No Ribeirão Fresco, uma discussão por equipamento de internet terminou com disparo de arma, prisão e apreensão de cinco armas. Um técnico de 38 anos foi à residência para retirar o aparelho após cancelamento do contrato.

Cinco armas apreendidas dentro de uma casa por causa de discussão de internet. O Estado proíbe o cidadão de ter arma para defesa, mas uma casa em Blumenau tinha cinco armas ilegais. A legislação desarma o sujeito de boa-fé e não toca no criminoso. Excelente balanço.

A PM atendeu, controlou a situação e prendeu o responsável pelos disparos. A operação foi relativamente rápida. Não dá para culpar a legislação de armas por uma discussão particular que escalou para crime.

Outro caso: o suspeito do feminicídio de Adriana Aparecida dos Santos, de 37 anos, foi encontrado morto em um sítio em Agrolândia. Ele era companheiro da vítima. Um vizinho localizou o corpo ao ir à propriedade para um trabalho.

Suspeito de feminicídio aparece morto antes de ser julgado — de novo. O Estado não consegue evitar o assassinato nem garantir que o responsável responda em vida. A justiça brasileira é póstuma por decreto.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte. Não há indício de crime contra o suspeito. O fato não apaga o feminicídio anterior, mas encerra o ciclo de investigação.

Em Gaspar, um estudante de 11 anos denunciou à Rede de Segurança Escolar que a mãe estava sendo agredida e mantida em cárcere privado pelo companheiro. Ele procurou a equipe da escola, que acionou a PM. O homem de 38 anos foi preso em flagrante.

Um garoto de 11 anos fez o que toda a rede de proteção estatal deveria ter feito. A escola foi o último recurso, não o primeiro. O Estado falha na prevenção e deixa o menor decidir entre calar ou arriscar a própria vida.

A PM também resgatou uma mulher que sofria violência doméstica há cerca de dois meses no bairro Margem Esquerda, em Gaspar. A denúncia partiu da própria Rede de Segurança Escolar. Os policiais encontraram a vítima em visível estado de abalo emocional.

Dois meses de sofrimento e a única saída foi um policial aparecer por denúncia externa. Se a Rede de Segurança Escolar sequer existia, a mulher continuaria no cárcere privado cada semana que o Estado demora para agir.

E em Presidente Getúlio, o botão do pânico do aplicativo PMSC Cidadão levou à prisão de um homem por descumprimento de medida protetiva. A vítima acionou o recurso ao ver o ex-companheiro na residência.

A tecnologia existe e funciona: um botão no celular impede nova agressão. O problema é que a proteção chega só depois que a mulher já sofreu. Medida protetiva não é prevenção, é remendo. E ainda assim o Estado demora para cumpri-la sem tecnologia.

SAÚDE

Na saúde pública, a espera por consulta com neurologista pediatra em Blumenau pode chegar a um ano. O dado é oficial e dizima qualquer discurso de saúde universal. Crianças aguardando sentadas enquanto a burocracia estadual empilha processos.

O secretário afirma que o município tem ampliado a oferta, mas a ação judicial do Conselho Tutelar contra a prefeitura mostra que a realidade é mais dura do que o anúncio. O Ministério Público agora cobra fulfillment do dever constitucional.

Ação judicial é o único jeito de filhos da República conseguirem atendimento. Se o Estado entregasse o que promete, o MP não seria necessário. Enquanto isso, a criança espera 365 dias por uma consulta que deveria ser imediata.

EDUCAÇÃO

Na educação, o Projeto Viva Música é exceção que virou referência em Blumenau e Indaial. Um aluno que começou aos 15 anos em aulas gratuitas de trompete hoje integra a Banda Municipal de Blumenau, a Experimental Big Band de Joinville e dá aulas particulares.

Esse é o tipo de política que deveria ser regra na rede municipal, não exceção sustentada por associação e voluntários. Projetos de inclusão por música e arte devolvem perspectiva para jovens que a escola pública abandonou.

Quando a escola pública não cumpre o papel, a iniciativa privada e a sociedade civil fazem o remendo. O mérito é do Viva Música, não da SME. Se a rede ensinasse música e leitura como deve ser, não dependeríamos de associação de cegos para cobrir o fracasso.

E em Blumenau, o secretariado de Educação recebe R$ 500 mil dos R$ 1 milhão anunciados pelo deputado Alex Brasil. O valor deve ser aplicado em infraestrutura escolar. Veremos se o recurso realmente transforma sala de aula ou vira obra de campanha.

Meio milhão anunciado às vésperas de eleição tem cheiro de palanque. O risco é o dinheiro sair do estado e aparecer em placa de inauguração antes de chegar à escola. Acompanhem o gasto por nota fiscal e não por foto de deputado.

POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Na política local, a Câmara de Blumenau aprovou a LDO de 2027 em segunda discussão. O projeto é do Executivo e só define diretrizes orçamentárias, mas na prática funciona como carta branca para gastos futuros.

A LDO é obrigatória e segue rito constitucional. A aprovação em segunda votação indica debate prévio. O risco não é a ferramenta, é a execução: se a receita for superestimada, o orçamento vira ficção.

Em Blumenau, toda LDO é receituário de ilusão. Aprovam em junho, executam metade no ano seguinte e em dezembro aparece déficit. O contribuinte paga a conta de um planejamento que nunca foi real.

A Celesc anunciou R$ 364 milhões em modernização da rede elétrica em Blumenau, Brusque, Pomerode e região. Até 2025, R$ 166,9 milhões já haviam sido executados. O restante promete expandir capacidade para indústria têxtil e metalmecânica.

Investimento em infraestrutura elétrica atrai indústria e cria emprego. Modernizar a ARBLU é estratégico para Blumenau. Mas R$ 364 milhões num Estado quebrado dependem de agências reguladoras e contratos públicos — sempre sujeitos a desvios e atrasos.

A Celesc tem a popularidade de todo monopólio: aparece com dinheiro novo, mas o usuário paga a conta todos os meses na tarifa. Modernização deveria ter sido feita há 10 anos. O investimento resolve o problema que o próprio Estado criou ao negligenciar a rede.

A CCJ da Câmara de Blumenau barrou o projeto de agente de bordo nos ônibus, de iniciativa popular. A proposta previa dois operadores por veículo, mas a comissão considerou o projeto inconstitucional por 4 votos a 1.

A questão é jurídica, não ideológica. A Constituição veda a criação de cargos por iniciativa popular. O transporte coletivo é problema real, mas a solução não pode ser casuística. Precisa de projeto técnico do Executivo.

Inconstitucional? O Estado adapta a Constituição quando interessa aos amigos do transporte, mas para projeto popular a carta é intocável. O caminhoneiro tem lobby; o usuário de ônibus não tem voto nem voz.

ESPORTES E INTERESSE COMUNITÁRIO

Na comunidade, Blumenau ganha 500 mil reais em recursos estaduais para educação e segurança pública. O anúncio foi do deputado Alex Brasil e faz parte de uma verba de emenda parlamentar.

Recurso de emenda é política de balcão: o deputado anuncia, a prefeitura agradece e o contribuinte paga. Acompanhem se o valor chega à escola e não desaparece em 'estrutura de segurança' que nunca aparece.

A Câmara aprovou verbas para a Barragem Norte e caminhões novos para os bombeiros do Alto Vale. Os veículos vão para Rio do Sul, Trombudo Central e Ituporanga. Se a manutenção for contínua, o risco de enchente diminui de verdade.

Caminhões novos e a barragem continua dependendo de explicação de defesa civil. O Estado só investe em emergência quando o povo começa a reclamar nas redes. Se não houver pressão, a barragem segue invisível e o din some em outra prioridade.

E no lazer, o Norte Shopping Blumenau prepara programação de fim de semana com desfile de moda tecnológica, competições esportivas e shows gratuitos. Eventos como esse movimentam economia local sem depender de dinheiro público.

Shopping privado faz evento privado com dinheiro privado. O Estado não precisa patrocinar lazer quando o mercado responde por demanda. Mas claro, se for para dar isenção fiscal para grande rede, o dinheiro público aparece na hora.

A gastronomia de Blumenau também terá Censo do Setor de Alimentos e Bebidas no segundo semestre. O Observatório de Turismo vai mapear estrutura e desafios dos empreendimentos. Se o resultado reduzir burocracia, todos ganham.

Censo para mapear é o primeiro passo para taxar. O Estado adora levantar dado para depois exigir alvará, licença e taxa. O setor gastronômico blumenauense já respira por falta de burocracia; com censo, o fôlego diminui.

Em Ituporanga, o Ginásio Henrique Holetz cancelou jogos do Sub-10 por goteiras e conservação precária. A Câmara cobra explicações. O problema de estrutura básica afeta o esporte que o Estado diz priorizar.

Goteira em ginásio estadual e jogos de futsal infantil cancelados. O Estado não mantém teto nem reforma quadra, mas gasta milhões com centro de eventos e festa internacional. A prioridade do poder é sempre a mesma: a própria foto.

BRASIL

No Brasil, Santa Catarina ultrapassou 10 mil vagas de emprego abertas pelo Sine SC. Do total, 282 são exclusivas para Pessoas com Deficiência. As oportunidades estão distribuídas por todas as regiões do estado.

Dez mil vagas no Sine enquanto Blumenau tem crianças esperando consulta de neurologia há um ano. O mercado oferece trabalho, mas o Estado entrega fila. Dados concretos: 10.040 vagas, 282 exclusivas para PCD. A máquina de emprego público não resolve o problema real.

MUNDO

No mundo, a Venezuela registrou dois terremotos de magnitude acima de 7, com pelo menos 235 mortos e 4.300 feridos. O epicentro foi próximo a Caracas e abalou aeroporto e prédios.

Venezuela tem infraestrutura combalida por décadas de socialismo e destruição institucional. O Estado controla tudo e quando o solo treme, quem paga o preço é a população. O número de mortos reflete falência estatal em manter construção e resposta a emergências.

RAPIDINHAS DA LOUCURA ESTATAL

Rapidinhas da Loucura Estatal: Blumenau anuncia R$ 1 milhão para educação e segurança pública — metade para cada área. O dinheiro vem de emenda estadual e tem cheiro de eleição. Crianças na fila de neurologia há um ano só ganharão consulta se a verba não for desviada para outdoors e propaganda.

Peter, existem ações estatais que funcionam, como os caminhões novos dos bombeiros e os monitoramentos de barragem. O problema é a intermitência: só aparece quando o Estado está sendo pressionado. O risco de enchente não some com anúncio — some com manutenção contínua.

FECHAMENTO EDITORIAL

Encerro com isso: em Gaspar, um menino de 11 anos foi mais eficiente que toda a rede de proteção do Estado. Em Caracas, a infraestrutura ruiu. Em Blumenau, R$ 364 milhões prometem luz nova, mas a luz que falta é a da responsabilidade estatal.

Eu deixo o recado: acompanhem a execução da LDO de 2027, fiscalizem o Censo da Gastronomia e denunciem suspeitas de violência doméstica à Rede de Segurança Escolar. A sociedade funciona quando cada um faz a sua parte — e não quando espera o Estado fazer tudo.