📋 MANCHETES DO DIA
- Capotamento deixa motorista ferido no Salto Pilão, em Lontras
- Furtos de cabos elétricos deixam Lontras sem luz e água
- Incêndio destrói residência de dois andares em Taió
- Homem é encontrado morto às margens da BR-470 em Indaial
- Estudantes vencem Hackathon com projeto anti-desastres em Blumenau
- Cãominhada reúne mais de 5 mil participantes e fortalece adoção responsável em Blumenau
INTRODUÇÃO EDITORIAL
Domingo de sol no Vale e o estado de coisas continua o mesmo: capotamento em Lontras, incêndio em Taió, corpo na BR-470 em Indaial. O Estado que monopoliza estrada, segurança e bombeiros entrega caos — e ainda cobra IPVA para manter a máquina.
Nem tudo é caos, Peter. A Cãominhada reuniu 5 mil pessoas em Blumenau, estudantes venceram um Hackathon com projeto de alertas offline para desastres e Rio do Sul abriu concurso com 15 vagas para Guarda Municipal. São respostas locais que funcionam sem depender só do Estado.
Respostas locais não pagam a conta do monopólio. Vamos começar por Lontras: capotamento na Rua Emílio Jacobsen, no Salto Pilão, e 70 metros de fiação furtada que deixaram energia e água faltando. Depois Taió: incêndio em casa de dois andares. E Indaial: mais um corpo às margens de rodovia federal.
SEGURANÇA PÚBLICA
Vamos à segurança pública. Na manhã deste domingo (19), um veículo saiu da pista na Rua Emílio Jacobsen, em Lontras, capotou e parou às margens da via com o motorista ferido. Os Bombeiros Voluntários atenderam a ocorrência às margens do Salto Pilão.
Estrada pública, manutenção pública, resultado público. O veículo saiu da pista porque a pavimentação ou a sinalização falharam. O Estado cobra IPVA, pedágio indireto em combustível, e entrega pista onde capotar é rotina.
A PM acionou os Bombeiros e a vítima foi socorrida. Não há registro de velocidade alta ou embriaguez ainda. Considerando o padrão da região, iluminação deficitária e falta de guardrails contribuem para acidentes como esse.
Guardrails custam reais, e o Estado prefere gastar em fiscalização de ar-condicionado de escola a instalar proteção em serra. O monopólio da segurança não impede roubo de cabo nem capotamento: ele só garante a burocracia do atendimento posterior.
Ainda na segurança, dois furtos de cabos elétricos foram registrados esta manhã na localidade de Francisco Rauh, também em Lontras. Ao todo, 70 metros de fiação foram levados, afetando energia e abastecimento de água.
Setenta metros de fiação furtada sem que ninguém veja. O Estado tem câmera de velocidade para multar, mas não tem câmera de vigilância para coibir furto de infraestrutura pública. A prioridade não é segurança: é arrecadação.
E em Indaial, às margens da BR-470 no quilômetro 67, um homem foi encontrado morto na encosta do Rio Benedito. O corpo foi localizado às 6h50, a PM acionada às 7h16. A causa da morte depende da investigação da Polícia Civil.
Rodovia federal, polícia estadual investigando, corpo sem causa confirmada. Mais uma estatística na estrada que o Estado prometeu duplicar. O contribuinte paga a mesma thing todos os meses: imposto, ineficiência e luto.
SAÚDE
Na saúde, os Ambulatórios Gerais da Família Garcia, Velha e Itoupava seguem abertos nos fins de semana de julho, das 8h às 17h. As datas confirmadas são 4 e 5, 11 e 12, 18 e 19 e 25 e 26. São serviços de atendimento ambulatorial e vacinação.
Horário de atendimento público de fim de semana e fila de um ano para neurologista pediatra. O Estado faz show de unidade aberta no sábado de manhã, mas entrega espera eterna para quem precisa de especialista. É marketing, não saúde.
A ampliação aos fins de semana reduz a pressão sobre as UBS de semana. O dado real é que 30 mil pessoas buscam atendimento fora do horário convencional em Blumenau. Três unidades cobrindo essa demanda é pouco, mas é melhor do que zero.
Três unidades para 360 mil habitantes é conta de padeiro que dá fome. Cada AGF atende milhares de pessoas sem consulta de especialista. O paciente com epilepsia continua esperando 12 meses enquanto o vereador anuncia recurso de emenda.
EDUCAÇÃO
Na educação, onze equipes de estudantes, professores e profissionais da Defesa Civil participaram do Hackathon EducaDC no Senai Blumenau. O desafio era criar soluções para prevenção de desastres e monitoramento de riscos. O vencedor foi o projeto BluAlert, de alertas offline.
Aluno da escola municipal vence Hackathon enquanto a SEMED não consegue manter teto de escola sem goteira. O Estado gasta milhões em tecnologia educacional e quem resolve problema de prevenção de desastre é estudante de 14 anos com aplicativo offline.
A iniciativa demonstra que a escola pública em rede com a comunidade produz solução de Estado sem precisar de autarquia. O BluAlert pode ser replicado em outras cidades do Vale. A inovação está mais próxima da sala de aula do que do gabinete.
Inovação está na sala de aula porque o gabinete engole orçamento em consultoria. A pergunta é: quantos editais de R$ 2 milhões poderiam financiar dez Hackathons como esse? A burocracia parasitária responde: nenhum, porque consultoria precisa de lagosta.
POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Na política local, a UVESC realizou uma pesquisa com vereadores catarinenses para levantar demandas municipais. O relatório será entregue aos candidatos a governador e senador durante o período eleitoral. A presidente Marcilei Vignatti diz que o objetivo é ampliar a participação no plano de governo.
Vereadores fazem pesquisa para entregar a candidatos — em outras palavras, fazem lobby municipalista disfarçado de consultoria. O Estado que já tem 37 mil cargos comissionados ainda acha pouco: quer mais recurso, mais poder, mais jeitinho por fora.
O exercício de ouvir vereadores não é inerentemente ruim. Ele pode reduzir o déficit de diálogo entre o Executivo estadual e os municípios. O risco é transformar o documento em lista de pedidos sem prioridade técnica.
Prioridade técnica num Estado que coloca R$ 70 mil mensais de aluguel de Câmara na conta e não resolve. O custo desse relatório sai do bolso do contribuinte que paga IPTU, IPVA, ICMS, PIS, COFINS — e ainda vê favela sem asfalto.
ESPORTES E INTERESSE COMUNITÁRIO
Fechando a parte local com algo positivo: a 31ª Cãominhada de Blumenau reuniu mais de 5 mil participantes e 1.200 cães inscritos neste domingo. É considerada a maior caminhada pet do Sul do Brasil e promove adoção responsável e guarda consciente.
5 mil pessoas caminhando por conta de cachorro e o Estado não põe um centavo. Isso é sociedade civil funcionando sem orçamento público: gente com ideia, patrocínio privado e zero taxa de inscrição. O Estado só chega para multar se alguém estacionar errado.
A Prefeitura cedeu estrutura de trânsito e logística. Eventos dessa escala precisam de organização pública — não só de boa vontade privada. A questão é qual o limite do gasto, não se o gasto existe.
O limite do gasto é a sua conta. A Prefeitura gasta R$ 70 mil por mês de aluguel de Câmara e não tem verba para asfaltar rua. Mas para apoiar caminhada de cachorro tem guarda municipal e sinalização viária. A prioridade é óbvia.
BRASIL
No Brasil, a Copa do Mundo de 2026 terminou com Espanha 1 x 0 na Argentina. Agora o país se prepara para sediar o Mundial Feminino em 2027. A transferência de conhecimento e infraestrutura de São Paulo, Rio e Salvador serve de base para a nova organização.
Estádio que vira elefante branco, bilhão de reais sumido, e agora novo Mundial. O contribuente brasileiro pagará a reforma de estádio com nome de construtora amiga. O legado da Copa anterior foi dívida e estádio abandonado. A lição não entrou na cabeça da CBF.
O evento movimenta economia, turismo e arrecadação de impostos. O risco de desperdício existe, mas Estados Unidos, Canadá e México também gastaram e conseguiram reuso posterior. O problema não é sediar, é fiscalizar o gasto.
MUNDO
No mundo, o show de intervalo da final da Copa teve Robbie Williams, Jennifer Hudson, Shakira, Madonna, Justin Bieber e BTS. Kylie Jenner e Timothée Chalamet estavam nas arquibancadas. Espetáculo privado sem dinheiro público.
Entretenimento privado, bilheteria paga, sem imposto. Diferente de estádio e segurança pública no Brasil, que são estatais. Por que o show de intervalo é privado e o estádio ao redor é dívida pública? Porque a FIFA não pega dinheiro do contribuinte americano.
A infraestrutura de transporte e a segurança ao redor recebem recurso público. O show, não. A comparação não é absolutista: Estados Unidos gastam com Copa sim, mas com mecanismos de reuso e sem esquema de propina que conhecemos por aqui.
FECHAMENTO EDITORIAL
Encerro com isso: Gaspar ensina que um garoto de 11 anos foi mais eficiente que toda a rede de proteção do Estado. Lontras mostra que 70 metros de fiação furtados viram falta de luz. Taió mostra que casa de dois andares vira cinza sem bombeiro a tempo. Indaial mostra que rodovia federal é pista de estatística. A lição é a mesma: o Estado falha sempre.
Eu deixo o recado: acompanhem o andamento do concurso da Guarda Municipal de Rio do Sul, fiscalizem o relatório da UVESC para candidatos e participem dos projetos da sua cidade. A sociedade funciona quando cada um faz a parte — e não quando espera o Estado fazer tudo que ele promete e não entrega.
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