BRASIL E MUNDO — Abertura

Olha só que espetáculo curioso da nossa aristocracia estatal em Brasília: até o Fachin resolveu criar coragem para discordar abertamente do todo-poderoso Alexandre de Moraes.

O motivo? Moraes avançou sem pudor contra a liberdade de imprensa e o sigilo de fonte no caso de um jornalista. Parece que a tirania das decisões monocráticas finalmente começou a incomodar a própria cúpula do Olimpo judiciário.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos aos fatos desse absurdo burocrático. O Alexandre de Moraes autorizou mandados de busca e apreensão contra Raimundo Cotrim, ex-secretário de segurança do Maranhão, apontado como a tal fonte do jornalista Luiz Pablo. O 'crime' investigado? Reportagens que escancararam o uso privilegiado de uma picape SW4 blindada do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família do ministro Flávio Dino. É isso mesmo: a máquina pública servindo de segurança privada para parente de iluminado, e quando alguém expõe a mamata, o Estado usa o seu monopólio da violência para perseguir quem vazou a verdade.

Perceba como funciona o incentivo perverso da burocracia estatal. O Dino usava o carro oficial de forma totalmente irregular. Quando a imprensa pegou a turma com a boca na botija, o que o STF fez? Correu para fazer a requisição formal de um carro de segurança para a família dele depois do escândalo! É idêntico àquele famoso contrato de propina que só vira 'empréstimo' se a polícia descobre. Se ninguém descobre, é regalia oculta bancada com o dinheiro do seu imposto roubado.

Aí entra a figura do Xandão. Para proteger os pares da casta, o sujeito ignora o devido processo legal e ataca diretamente a fonte do jornalista. A mensagem que o Estado envia para a sociedade é devastadora: se você ousar denunciar a podridão dos parasitas de Brasília, a polícia bate na sua porta, apreende seu celular e devassa a sua vida. Qualquer ditadorzinho de plantão inventa uma 'suspeita de crime' genérica para derrubar o sigilo da fonte e calar a oposição. É o truque mais velho do autoritarismo.

E é aí que surge a faísca no tribunal. O ministro Fachin veio a público defender a jurisprudência do STF sobre a proteção da imprensa e o sigilo de fonte, indicando que quer levar essa decisão arbitrária do Moraes para o julgamento dos outros ministros no plenário. É claro que o Fachin não virou um libertário defensor dos direitos individuais da noite para o dia. Ele inclusive fez questão de prestar a tradicional solidariedade corporativista ao Flávio Dino na mesma sessão. O sistema nunca entrega os seus totalmente.

Mas o simples fato de surgir uma rachadura pública no tribunal expõe uma verdade incômoda para eles: a elite aristocrática de Brasília já percebeu o tamanho do perigo. Eles aplaudiram todas as loucuras e arroubos autoritários do Moraes enquanto o alvo eram os adversários políticos do momento. Só que a arrogância do tirano monocrático é insaciável. Uma hora, o burocrata descontrolado toma uma medida tão desproporcional que ameaça queimar o circo inteiro e prejudicar a própria imagem da corte.

Quando o Judiciário atua de forma monolítica contra o cidadão, a tirania é absoluta e implacável. Mas quando os próprios parasitas começam a se bicar no topo da pirâmide, abre-se uma brecha para a sociedade enxergar a podridão. O corporativismo daquela turma é gigantesco, e eu não duvido nada que o plenário passe pano no final para não enfraquecer o imperador de plantão. Afinal, eles temem que o controle fuja das mãos. Mas o desconforto e o medo nos corredores de Brasília já são visíveis e inegáveis.

A burocracia estatal vive da ilusão de que pode controlar a informação, manipular a narrativa e punir qualquer um que revele os podres do poder. Eles odeiam a descentralização, odeiam a imprensa livre e detestam o indivíduo que questiona para onde vai cada centavo tirado à força do seu bolso sob a justificativa esfarrapada da lei.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Enquanto os ministros trocam farpas no plenário para decidir quem manda mais na estrutura coercitiva do país, você continua bancando a conta dos luxos, dos privilégios e das picapes blindadas da elite aristocrática. Até quando você vai continuar esperando justiça de uma quadrilha que só existe para proteger a si mesma?