BRASIL E MUNDO — Abertura

Você acha que a comida no seu prato depende apenas do clima ou do trabalho duro do agricultor? Pois saiba que burocratas, guerras promovidas por governos e canetadas protecionistas estão prestes a encarecer — e muito — o que você consome diariamente.

A escalada de conflitos no Oriente Médio aliada ao protecionismo estatal chinês provocou uma escassez global de enxofre, um insumo absolutamente crítico para a fabricação de fertilizantes no agronegócio.

E qual é a resposta padrão dos políticos e planejadores centrais diante dessa crise? Intervir ainda mais no mercado, distorcer os preços e piorar drasticamente a situação de todos.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos aos fatos: a maior parte do enxofre comercializado no planeta é um subproduto do refino de petróleo e gás. Quando o combustível é purificado para retirar a sujeira que corrói motores, esse enxofre sobra e vira matéria-prima para adubar o campo. Ocorre que os conflitos estatais na região do Oriente Médio fecharam o Estreito de Ormuz, tirando de circulação simplesmente metade do enxofre do mercado mundial. Quando governos brincam de guerra geopolítica, quem paga a conta da destruição das cadeias de suprimento é sempre o indivíduo.

Para piorar o cenário, o regime autoritário da China decidiu proibir a exportação de enxofre e de ácido sulfúrico. A lógica do estado comunista é aquela máxima arrogante: 'farinha pouca, meu pirão primeiro'. Eles trancaram o insumo para tentar beneficiar artificialmente os produtores internos, cortando a oferta global e fazendo o preço do enxofre simplesmente dobrar no mercado internacional.

Isso atinge diretamente o agricultor americano, o produtor brasileiro e, inevitavelmente, o consumidor final na ponta da cadeia. Mas repare na perversidade da intervenção estatal: quando a China proíbe as trocas voluntárias com o exterior, ela destrói o sistema de sinais de preços. Ela cria uma escassez artificial no mundo e gera desperdício e ineficiência da porta para dentro.

E o que os burocratas em Washington cogitam fazer como resposta? Em vez de respeitarem o livre mercado, alguns defensores do controle estatal sugerem retaliar proibindo também as exportações. É a clássica espiral da insanidade burocrática: um Estado cria um problema com guerras e restrições, e o outro Estado responde aplicando mais coerção e mais barreiras econômicas.

A beleza do livre mercado reside justamente na função do sistema de preços. Quando o valor do enxofre sobe organicamente pela escassez, a economia envia dois sinais fundamentais de forma imediata. Primeiro, quem não precisa desesperadamente do produto reduz o consumo. Segundo, empreendedores e investidores privados ganham um incentivo gigantesco para buscar formas alternativas de produção e extração do insumo.

O mercado livre resolve a escassez racionalizando a demanda e estimulando novas ofertas. Mas quando governos metem as mãos, congelam mercados ou fecham fronteiras, a sinalização é destruída. O resultado inevitável é a falta prolongada do produto, o desestímulo ao investimento e o desabastecimento generalizado.

Para completar, a reabertura da rota marítima no Oriente Médio fica refém de negociações entre o regime iraniano e o governo dos Estados Unidos. A segurança alimentar de bilhões de pessoas acaba subjugada a chantagens ditatoriais e a conveniências de anos eleitorais. Enquanto isso, o produtor rural fica sem saber se compra o fertilizante pelo dobro do preço ou se arrisca perder a safra inteira.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Toda vez que o Estado intervém sob o pretexto de garantir a 'segurança alimentar', ele entrega exatamente o oposto: inflação, escassez e insegurança. A solução para os problemas do mercado nunca será mais regulação ou protecionismo; a solução é a liberdade para produzir e comercializar sem a interferência de burocratas.

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