BRASIL E MUNDO — Abertura

Se tem uma coisa que a grande mídia adora fazer é fingir que a máquina pública é um templo de virtude e que o problema do país é apenas uma questão de boas intenções. Mas a sabatina do Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional colocou o dedo na ferida e escancarou como o teatro estatal funciona na prática. No dia vinte e oito de agosto de dois mil e vinte e seis, enquanto os apresentadores tentavam emparedar o candidato da oposição, o que vimos foi uma verdadeira exposição de onde realmente reside a podridão do sistema.

Diferente do atual ocupante do Palácio do Planalto, que se enrolou todo quando foi pressionado, Flávio manteve a firmeza, respondeu com confiança e desmontou a narrativa da imprensa. E o mais importante: expôs uma verdade inconveniente sobre a natureza do próprio Estado que o jornalismo tradicional se recusa a admitir.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Logo no início da entrevista, Flávio marcou posição ao se solidarizar com a jornalista Renata Vasconcelos pela descortesia demonstrada por Lula no dia anterior. A revista Contigo! até destacou essa alfinetada. Enquanto o atual presidente agiu com arrogância, tentando ensinar a imprensa a fazer o próprio trabalho por não aceitar ser contrariado, Flávio usou a educação para escancarar o destempero do chefe do Executivo. O sujeito esperava um tratamento de pudim, queria moleza, mas acabou se enrolando sozinho diante das perguntas incômodas.

A grande ironia veio quando Renata Vasconcelos e César Trali tentaram enquadrar o Flávio por um contrato privado com a figura do Vorcaro. E aí o tiro saiu pela culatra de forma espetacular. Flávio jogou a bola direto no colo da Rede Globo, lembrando que a própria emissora mantém contratos comerciais milionários com o mesmo empresário — como os cento e sessenta milhões de reais envolvidos no programa Domingão do Huck. Ele deixou claro: negócios entre entes privados, dentro das normas e sem dinheiro roubado do povo, são absolutamente legítimos. O mercado privado é livre para contratar; a sujeira começa quando a burocracia estatal entra no jogo.

E foi aí que veio o ponto central da análise. Flávio lembrou o que é um escândalo de verdade: a reunião secreta de Lula no Palácio do Planalto com esse mesmo Vorcaro. Sabe qual foi a promessa do governo? Pedir para o sujeito segurar a onda por um ano porque, no ano seguinte, o Executivo colocaria o seu próprio indicado no comando do Banco Central para resolver o problema do banco dele. Isso é a essência do intervencionismo e da negociata estatal! É exatamente o que eu venho repetindo aqui: corrupção é uma coisa que acontece dentro do governo!

Entendam a mecânica do poder, meus amigos. A oposição não tem a caneta na mão, não tem orçamento público para loteamento e não possui a força coercitiva da burocracia para dar contrapartida a empresário. Quem pode vender facilidades, criar dificuldades e entregar favores em troca de vantagens é quem controla a máquina estatal e o monopólio da violência. Um político sem poder executivo simplesmente não tem o que oferecer. O parasitismo só viceja onde existe a caneta oficial para aparelhar os órgãos reguladores e o Banco Central.

Além de desmantelar a postura da emissora, Flávio aproveitou para pacificar outros temas de campanha. Afirmou com todas as letras que não há qualquer questionamento sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e pediu desculpas publicamente por ter mencionado no passado a empresa Smartmatic, reconhecendo que ela nunca produziu urnas para as eleições brasileiras. Uma retratação direta sobre um tema que a imprensa adorava usar para criar narrativa.

Outro ponto relevante foi o anúncio prévio do seu futuro Ministro da Saúde. É claro que a saúde impacta a vida da população, mas como defensor da liberdade econômica e do indivíduo, eu sigo na expectativa pelo nome do Ministro da Economia. É esse o cargo crítico que vai determinar se o pagador de impostos continuará sendo sufocado pelo leviatã ou se teremos algum alívio na cobrança de tributos.

Confesso que tive uma decepção pessoal por ele não ter abordado abertamente a pauta das privatizações durante a sabatina. A desestatização e o fim dos monopólios estatais deveriam ser prioridade absoluta. Contudo, compreendo a realidade eleitoral: privatização é um assunto espinhoso em ano de eleição. Mas o cálculo é simples: enquanto sob o comando socialista do governo atual a privatização é zero — garantindo que os burocratas continuem sugando a riqueza de quem produz —, com a oposição existe ao menos a expectativa de desmantelar alguns desses cabides de emprego e vender os abacaxis estatais.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim das contas, a sabatina serviu para escancarar o contraste. De um lado, o governante que se irrita com a imprensa e usa a estrutura pública para aparelhar o Estado em favor dos amigos do rei. Do outro, a demonstração de que sem o poder da caneta estatal, não existe contrapartida nem corrupção possível. O problema do Brasil nunca foi a falta de regulamentação, mas sim a existência de um Estado inchado que se vende ao melhor comprador.

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