BRASIL E MUNDO — Abertura
Basta sair uma notícia sobre a chegada de meia dúzia de trabalhadores no país para a patrulha do pânico estatal surtar na internet. O alarde da vez é que o Brasil estaria sendo supostamente 'invadido' por marroquinos em Santa Catarina.
A imprensa local divulgou que cerca de 50 pessoas vindas do Marrocos foram atendidas pela Pastoral do Imigrante em Florianópolis nos últimos três meses. Pronto, foi o suficiente para surgirem teorias mirabolantes de construir muro e isolar fronteiras no Sul.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos colocar os pés no chão e olhar para a realidade dos fatos antes de embarcar nesse delírio coletivo. Cinquenta pessoas atendidas em noventa dias. Isso dá uma média de pouco mais de uma pessoa por semana chegando a uma capital de estado.
E tem gente desesperada achando que isso é um desembarque massivo como o que aconteceu na Europa, no caso de Ceuta, na Espanha. Pelo amor de Deus, olhem para o mapa do mundo antes de saírem espalhando bobagens por aí.
O Oceano Atlântico separa o norte da África do litoral catarinense. Ninguém atravessa milhares de quilômetros de oceano num barquinho a remo. Essa gente viaja de navio ou vem de avião, pagando suas viagens e buscando escapar da miséria.
E por que esses jovens estão saindo do Marrocos? Pelo motivo mais básico da existência humana: a busca por sobrevivência e trabalho. Eles estão fugindo de uma crise econômica brutal no país de origem, onde o Estado sufoca qualquer perspectiva de vida.
Quando chegam aqui, essas pessoas procuram apoio de entidades privadas e religiosas, como a Missão Escalabrini, do padre Gabriel Batistela, para aprender o idioma, tirar documentos e conseguir uma colocação no mercado de trabalho livre.
Isso não é nada diferente do que os antepassados de milhões de brasileiros fizeram quando fugiram da fome na Itália, em Espanha ou em Portugal para tentar a vida aqui no passado. A história se repete porque a busca individual por liberdade é universal.
A verdadeira criação de riqueza só acontece quando pessoas livres realizam trocas voluntárias de bens e serviços. A chegada de indivíduos dispostos a trabalhar, produzir e consumir não é uma ameaça; é um motor de desenvolvimento para qualquer economia saudável.
Num momento em que a taxa de natalidade despenca e o sistema produtivo precisa de braços e mentes, assustar-se com imigrantes é um contrassenso econômico absoluto. O problema nunca é o indivíduo que chega para trabalhar, mas a burocracia estatal que tenta controlar o movimento humano.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
A burocracia do Estado adora criar cercas, burocratizar documentos e incitar o medo para justificar o controle sobre a vida alheia. O mercado livre não enxerga passaportes; enxerga capacidade de produção, cooperação e trocas voluntárias.
Se você tem mais medo de cinquenta trabalhadores imigrantes do que do leão do imposto arrancando o seu sustento todo mês, parabéns: a doutrinação estatal funcionou perfeitamente com você.