BRASIL E MUNDO — Abertura

O estado brasileiro acaba de criar mais um tipo penal bizarro para proteger a burocracia estatal. Sabe qual é o novo crime no Brasil? Causar perturbação do equilíbrio psicológico de um ministro do governo.

Um jornalista do Maranhão cumpriu o seu papel: denunciou que um funcionário público usou indevidamente um carro do governo. Qual foi a reação do leviatã? A Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes quebraram o sigilo da fonte do jornalista alegando que a reportagem abalou o psicológico de Flávio Dino.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Olha o nível do absurdo. Desde quando melindrar o ego de um burocrata engravatado virou justificativa para atropelar garantias individuais? No monopólio da coerção, o estado inventa a regra, apita o jogo e muda as leis conforme a conveniência dos seus iluminados. Se a denúncia atinge o alto escalão, o jornalismo vira crime e a arbitrariedade vira justiça.

E essa perseguição estatal não é caso isolado. Lembra do Eduardo Tagliaferro? Ele era a fonte das reportagens do Glen Greenwald sobre os bastidores da corte e teve que fugir para a Itália, virando exilado político para não mofar na cadeia. O mesmo padrão ocorreu quando dados fiscais da esposa de Alexandre de Moraes vieram à tona e a Polícia Federal foi acionada contra as fontes. O método do aparato estatal é sempre o mesmo: caçar e punir qualquer um que ouse expor as entranhas do sistema.

A única ironia nessa história é ver a grande imprensa finalmente sentindo os dentes da fera que ajudou a alimentar. Jornalistas que passaram anos aplaudindo o inquérito do fim do mundo em nome de uma suposta defesa da democracia agora tentam ensaiar um mea culpa. Mário Sabino e outros analistas perceberam que abrir mão de direitos básicos em nome do estado no passado apenas legitimou a tirania de hoje.

Mesmo assim, toda ditadura conta com seus devotados apologistas da servidão. Passadores de pano como Leonardo Sakamoto saem em defesa da medida argumentando que o sigilo da fonte não serve para cometer crimes. Só que qual foi o crime cometido pelo jornalista? Expor o uso indevido de patrimônio público? Dizer que direitos fundamentais só valem quando não incomodam os governantes é o atestado definitivo de submissão ao leviatã.

Os generais da ditadura militar faziam exatamente a mesma coisa: forjavam acusações criminais genéricas para violar o sigilo de repórteres incômodos. O establishment atual repete a mesmíssima receita burocrática. Pegam qualquer movimentação financeira legítima, como um empréstimo de cem mil reais citado nas investigações, e usam de pretexto para devassar a vida do indivíduo. O estado primeiro decide quem quer perseguir e depois inventa o crime.

A verdade é incontornável: liberdade de expressão e sigilo de fonte não aceitam relativização. Palavra não é agressão física. Se uma denúncia perturba o equilíbrio emocional de um burocrata, a responsabilidade é inteiramente dele. Quando você concede ao judiciário o poder de definir o que é jornalismo e o que é crime, você simplesmente extingue a liberdade e entrega todo o poder na mão dos tiranos.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O estado nunca existiu para proteger as suas liberdades, ele existe unicamente para perpetuar o próprio poder e blindar a casta de parasitas que vive do seu dinheiro.

Se você acha que a burocracia deve decidir quem pode ou não denúncias fazer, você já aceitou a escravidão. Inscreva-se no canal, deixe seu comentário e lembre-se: imposto é roubo e o estado é uma gangue. Até a próxima!