BRASIL E MUNDO — Abertura

Se você teve a infelicidade de tentar assistir ao primeiro debate presidencial desta eleição na televisão, meus pêsames. O espetáculo foi tão medíocre, tão irrelevante e assustadoramente chato que a única imagem que prestou de toda aquela encenação foi o Gilberto Kassab pescando na plateia. O sujeito deu o tom exato do evento: um sono profundo, embalado pela inutilidade de um modelo falido.

E sabe por que aquele teatro mofado não serviu para absolutamente nada? Porque o monopólio da informação centralizada acabou. Os ditos pré-candidatos que realmente importam no jogo político simplesmente ignoraram a convocação das emissoras e nem pisaram lá. O público percebeu, os políticos perceberam e o burocrata no camarote dormiu de roncar.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Olhando os fatos secos: Lula não foi, Flávio Bolsonaro não foi e Zema também declinou. O debatedor Augusto Curi ensaiou desistir, voltou atrás e acabou aparecendo, mas para quê? Ficou uma mesa esvaziada, com o menor quórum de candidatos registrados em estreias desde 1989. O que sobrou na tela foi a turma do erro: Ronaldo Caiado, Renan Santos e o próprio Curi. Nenhum deles apresentou rigorosamente nenhuma proposta relevante ou capaz de mudar um milímetro da realidade sufocante do cidadão comum.

Enquanto o estúdio de TV afundava num tédio sepulcral, Lula preferiu conceder uma entrevista gravada para o Domingo Espetacular da Record, mostrando o tamanho do desprezo pelo formato tradicional. Já Flávio Bolsonaro publicou um vídeo direto em suas redes sociais explicando sua ausência. E a justificativa expôs o óbvio ufanismo desse circo estatal: por que se expor num palco montado para virar saco de pancadas de candidatos com 1% das intenções de voto, se o verdadeiro embate econômico e moral é contra quem governa e destrói o país?

No vídeo publicado, Flávio trouxe números devastadores sobre a corrosão da nossa economia pelo peso do Leviatã estatal. Ele citou a reduflação escancarada que assalta o bolso do consumidor no supermercado: a caixa de Bis que encolheu de 20 para 16 unidades, o rolo de papel higiênico reduzido de 40 para 36 metros e até a dúzia de ovos que virou uma 'dezena' de 10 unidades. O estado destrói a moeda, gera inflação desenfreada e o indivíduo paga a conta levando menos comida para casa pelo mesmo preço extorsivo.

E a tragédia econômica provocada pela gastança e pela sanha burocrática não para aí. O próprio Flávio listou a expulsão de mais de 200 indústrias brasileiras para o Paraguai, em busca de um ambiente minimamente livre de garras tributárias. Mencionou mais de 5 mil pedidos de recuperação judicial de empresas sufocadas por regulamentações, além do fechamento de mais de 300 lojas da rede Casas Bahia. Chegamos ao ponto bizarro e humilhante em que o trabalhador precisa parcelar em até seis vezes no cartão uma simples pizza no iFood para conseguir comer no final de semana.

E por que esses problemas reais não são debatidos com seriedade no modelo antigo de TV? Porque a estrutura da velha mídia foi feita para a era da informação centralizada, onde meia dúzia de conglomerados e burocratas controlavam o que o rebanho podia ouvir. Os políticos que foram ao estúdio, como Caiado e Renan Santos, não estavam lá para discutir soluções ou defender a liberdade do indivíduo. Estavam desesperados apenas para cavar um 'corte', uma lacrada de 30 segundos formatada para tentar viralizar nas plataformas digitais.

A grande ironia é essa: o debate na TV virou mero parasitismo do conteúdo digital. Os sujeitos usam uma estrutura velhusca e custosa de televisão unicamente para tentar gerar fragmentos de vídeo para o ecossistema descentralizado da internet. É a prova cabal de que a conversa real, a checagem direta e o debate contínuo já acontecem 24 horas por dia nas redes sociais. As pessoas não precisam mais esperar um ritual sagrado e engessado num domingo à noite para ver dois políticos trocando acusações encomendadas.

O modelo de debate televisivo perdeu completamente sua razão de existir. Na era do indivíduo conectado e da comunicação sem intermediários estatais ou corporativos, a população escolhe o que consome, desmascara a demagogia em tempo real e ignora o teatro dos burocratas. O espetáculo do debate tradicional virou um dinossauro sem utilidade prática, uma casca vazia mantida apenas por hábito e vaidade dos participantes.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Se o leitor de notícia e o político tradicional ainda não entenderam isso, o ronco do Kassab na plateia deixou o recado límpido e cristalino: a televisão centralizada morreu e o debate público pertence às redes descentralizadas. O indivíduo livre não precisa da permissão de concessões públicas para se informar e decidir o próprio destino.

E você, meu amigo? Ainda perde o seu tempo precioso assistindo a burocratas encenando propostas estatais na TV ou já migrou de vez para a liberdade de escolha das redes? Deixe sua opinião nos comentários, se inscreva no canal e compartilhe este vídeo com quem ainda insiste em acordar para ver político fingindo debate. Até a próxima!