BRASIL E MUNDO — Abertura
Olha só a que ponto chega o espetáculo da política em Brasília. O famoso jantar da promiscuidade republicana, que reuniu Lula, Davi Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes na mansão do magistrado, terminou em barraco e gritaria. Enquanto o indivíduo produtivo trabalha diariamente sob a ameaça do confisco estatal para pagar impostos escorchantes, essa elite burocrática se junta a portas fechadas para negociar o controle das instituições e a manutenção dos seus privilégios.
O encontro reservado não tinha nada a ver com o bem-estar do cidadão, mas sim com a articulação de um balcão de negócios entre Executivo, Legislativo e a Suprema Corte. Queriam acertar o loteamento do Senado e a distribuição de recursos públicos, mas a lavagem de roupa suja expôs o lodo da máquina pública.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Para entender o motivo da discussão acalorada, é preciso olhar os incentivos dessa engrenagem. Davi Alcolumbre quer retornar à presidência do Senado Federal para dominar a pauta legislativa e manter sua influência sobre a máquina pública. Alexandre de Moraes tem um interesse gigantesco em garantir a eleição de Alcolumbre. Por que o ministro se importa tanto? Porque a presidência do Senado detém o monopólio exclusivo de pautar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Moraes sabe muito bem que manter um aliado na presidência daquela casa é a garantia de blindagem contra qualquer tentativa de frear a arbitrariedade judiciária.
E onde entra a figura de Lula nesse arranjo parasitário? O Poder Executivo atua como o financiador da farra, utilizando o dinheiro extorquido do pagador de impostos — na forma de liberação de emendas parlamentares e verbas orçamentárias — para comprar os votos necessários dos senadores e assegurar a vitória do candidato da conveniência. Em contrapartida, o tribunal atua no jogo político nos bastidores para tentar tirar adversários incômodos do caminho nas disputas regionais, como as articulações mencionadas em relação a Arthur Lira e Alfredo Gaspar em Alagoas. É a simbiose perfeita do Leviatã para sufocar qualquer oposição.
Entretanto, nem o jantar luxuoso no bairro nobre de Brasília conseguiu conter o ressentimento acumulado. O barraco estourou quando trouxeram à tona o tema mais sensível da relação entre o Planalto e o Congresso: a derrota acachapante sofrida pelo governo com a rejeição do nome de Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal no final de abril. Lula guardou um rancor profundo, acusando Alcolumbre de ter agido para enterrar a candidatura do seu indicado no Senado.
Só que Alcolumbre não aceitou a culpa e rebateu duramente. O senador alega que avisou o Palácio do Planalto com antecedência de que o nome de Messias não alcançaria a contagem mínima de 41 votos necessários para a aprovação. Enquanto lideranças do governo, como o senador Jaques Wagner, alimentavam Lula com a falsa promessa de que a votação passaria de forma apertada, Alcolumbre insistia que o desastre era inevitável. A burocracia governamental preferiu ignorar a realidade e, quando o fracasso ocorreu, tentou jogar a responsabilidade nas costas do presidente da comissão.
O grande prejudicado e a figura mais emblemática desse circo é o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Esse é o exemplo perfeito de como funciona a ingenuidade perante o parasitismo estatal. Pacheco passou a sua gestão inteira sendo extremamente submisso aos abusos do Supremo Tribunal Federal, engavetando pedidos de impeachment formulados pela população para proteger a corte judiciária. Tudo isso porque havia uma promessa de bastidor de que ele seria recompensado com uma indicação para o STF, inclusive com arranjos envolvendo a vaga do ministro Barroso. No fim, a promessa era falsa, Pacheco foi passado para trás e ficou sem a tão sonhada vaga.
Isso mostra claramente a essência da política institucional. Não existe moralidade, amizade ou interesse público nesse ambiente. O monopólio da violência opera exclusivamente com base na coerção, na barganha e no interesse próprio. Os burocratas brigam entre si como membros de uma gangue disputando a divisão do saque. Eles usam as instituições públicas, as vagas em tribunais e a arrecadação tributária como fichas de jogo, enquanto o cidadão comum arca com a conta da espoliação contínua.
Mesmo que tentem amenizar a gravidade da situação alegando que os ânimos se acalmaram para um próximo encontro, a fissura no pacto das oligarquias é evidente. O temor de Moraes em relação ao surgimento de uma oposição fortalecida no Senado demonstra que a elite governamental vive sob o pavor permanente de perder o controle coercitivo sobre a sociedade.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
O escândalo desse jantar fracassado confirma a premissa libertária fundamental: o Estado não é um garantidor da justiça, mas uma organização coercitiva que visa unicamente a ampliação do seu poder de dominação e a proteção da sua casta privilegiada.
Não caia na conversa mole de que existe algum lado certo nessa briga de burocratas. Se você quer entender como a liberdade individual e o mercado livre são as únicas alternativas éticas contra o parasitismo estatal, deixe seu like, comente sua visão e se inscreva no canal.