BRASIL E MUNDO — Abertura
A imprensa brasileira passou anos aplaudindo o arbítrio estatal, contanto que o chicote do leviatã estalasse nas costas dos inimigos da vez. O problema de alimentar uma besta com poder ilimitado é que, mais cedo ou mais tarde, ela ganha fome de você. E agora presenciamos o ápice do descalabro: o aparato estatal atropelando sem qualquer pudor o próprio sigilo da fonte jornalística.
Aquele velho mito de que o Supremo Tribunal Federal existe para proteger a Constituição caiu por terra faz tempo. O que sobrou na prática foi um balcão de negócios corporativista, onde a caneta pesada do monopólio da violência atua para blindar membros da patota governamental de qualquer fiscalização pública.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos relembrar a origem desse absurdo. Tudo começou com o jornalista Luiz Pablo, lá no Maranhão. Ele revelou que o ex-governador e atual ministro Flávio Dino estava usufruindo, de forma completamente irregular, de um veículo blindado pertencente ao Tribunal de Justiça do estado. Uma estrutura bancada com dinheiro roubado do pagador de impostos, destinada aos desembargadores daquela corte, sendo utilizada pela família do ministro sem amparo legal algum.
O sujeito não tinha mais nenhum vínculo de trabalho com o tribunal local. Quando a reportagem expôs a farra com o bem público, o que os burocratas fizeram? O de sempre: improvisaram uma manobra burocrática para cobrir a lambança depois do fato consumado. Mandaram uma cartinha formalizando um empréstimo do carro do tribunal para o STF, tentando legalizar retroativamente o uso indevido da estrutura estatal.
Diante de um flagrante desses, o que faria um judiciário focado em justiça e transparência? Investigaria o privilégio indevido, certo? Errado. O aparato de coerção estatal voltou suas armas contra o denunciante. Alexandre de Moraes expediu mandado de busca e apreensão contra o jornalista Luiz Pablo, confiscando celulares e computadores. O objetivo nunca foi apurar a irregularidade do ministro, mas sim descobrir quem ousou vazar a informação.
A Constituição diz abertamente que o sigilo da fonte é inviolável. Mas para a elite política e judiciária, aquele pedaço de papel só serve quando atende aos seus próprios interesses. A regra do jogo estatal é cristalina: para os amigos do rei, blindagem absoluta; para os súditos e jornalistas independentes, o peso da força policial. É a essência do Estado operando acima de qualquer regra moral.
E a escalada repressiva não parou por aí. Depois de violar a privacidade do jornalista para identificar a fonte, Moraes mandou a polícia fazer busca e apreensão contra a própria fonte informante, o ex-secretário Raimundo Cutrim. E até o advogado do jornalista acabou atingido nessa manobra. O recado enviado a qualquer um que pense em expor podres do poder é claro: o leviatã vai esmagar você e quem estiver ao seu lado.
Enquanto o cidadão comum é obrigado a custear via tributação compulsória duas estruturas paralelas de transporte e segurança para autoridades, qualquer tentativa de expor esses privilégios é tratada como crime. Isso demonstra que imposto não é apenas roubo, mas também o financiamento direto das correntes que sufocam a liberdade de expressão. O Estado usa os recursos extraídos à força para aparelhar a polícia contra quem expõe a verdade.
A grande mídia achou que a arbitrariedade ficaria restrita aos alvos que ela odiava. Comemoraram a censura, a apreensão de equipamentos e o silenciamento de profissionais fora do consórcio hegemônico. Esqueceram que a burocracia estatal não possui limites éticos. Quando se tolera que um único indivíduo no topo do judiciário rasgue garantias para proteger um colega, abre-se a porta para que todo e qualquer jornalista seja o próximo alvo assim que incomodar o topo da hierarquia.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
A lição que fica é transparente: a liberdade individual e o direito de informar jamais estarão seguros sob a tutela de um Estado hipertrofiado. Nenhuma folha de papel constitucional contém a sanha de quem detém o monopólio da coerção. A verdadeira liberdade só existe quando descentralizamos o poder e rejeitamos a autoridade dos tiranos de toga.
Você vai continuar achando que o problema é uma decisão isolada ou já percebeu que o sistema estatal funciona como uma grande quadrilha para proteger seus membros? Deixe seu comentário, se inscreva no canal do Webjornal Vale da Liberdade e compartilhe este vídeo. Até a próxima!