BRASIL E MUNDO — Abertura
O Estado adora vender a ilusão de que vai te salvar, te dar um carro zero e limpar todas as suas dívidas com uma simples canetada. Mas a realidade é sempre uma surra de fatos: os programas populistas do governo não ajudaram absolutamente ninguém no mundo real, a não ser os grandes bancos amigos do rei.
Estou falando do Move Brasil e do Desenrola. Duas aberrações estatais criadas com um único propósito real: comprar o seu voto com o seu próprio dinheiro, enquanto o monopólio da violência garante risco zero para o sistema financeiro bancário.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos analisar os números porque a matemática não mente, ao contrário dos políticos. O tal programa Move Brasil prometeu mundos e fundos. A ideia vendida pela propaganda oficial era facilitar a compra de veículos novos com juros subsidiados para motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores de plataformas digitais. O governo editou medidas provisórias e separou a bagatela de trinta bilhões de reais de dinheiro público para essa farra. Parecia o paraíso estatal, não é mesmo? Só que o mercado real não se curva à vontade dos burocratas de Brasília.
Sabe quanto desse montante bilionário foi efetivamente alocado até agora? Apenas três bilhões de reais. Isso mesmo, exatamente dez por cento do valor anunciado com tanta pompa. Nem no cenário mais alucinadamente otimista traçado pelo governo a conta chega a dez bilhões. A previsão realista indica que a liberação vai empacar entre cinco e seis bilhões até o final do processo. O programa fracassou miseravelmente antes mesmo de esquentar os motores.
E por que o programa naufragou? Porque burocrata não entende nada de incentivos e gestão de risco. Os bancos, agindo estritamente pela lógica de mercado, só estão emprestando esse dinheiro subsidiado para quem já tem nome limpo, excelente histórico e crédito totalmente garantido na praça. Ou seja, a pessoa que realmente está sem crédito, apertada e que em tese precisaria de facilidade, continua sumariamente excluída. O governo não criou facilidade alguma para o trabalhador que está na margem.
Na prática, o governo criou uma reserva de mercado e subsídio estatal para quem já tinha condições plenas de financiar um veículo. O sujeito que pagaria uma parcela de trezentos reais passa a pagar duzentos e noventa e cinco. Uma diferença insignificante para o comprador final, mas um negócio extraordinário para os bancos. As instituições financeiras vendem crédito garantido com juros cobertos pelo Tesouro e sem assumir nenhum risco de calote de pagadores ruins. É a clássica engenharia social do Estado: esfolar o pagador de impostos para cobrir os lucros do sistema financeiro corporativista.
A motivação por trás desse arranjo nunca foi ajudar o motorista de Uber ou o motociclista de aplicativo a melhorar de vida. A preocupação do governo é puramente eleitoreira. Não houve qualquer análise séria sobre demanda reprimida, estoques da indústria ou estudo de viabilidade econômica. A intenção foi unicamente despejar dinheiro na praça para tentar comprar popularidade e votos. Só que as pessoas perceberam que não há vantagem real alguma nessa esmola estatal.
E se o Move Brasil foi um fiasco retumbante, o tal Desenrola 2.0 conseguiu a façanha de ser ainda pior. O governo prorrogou o programa até agosto prometendo exterminar a inadimplência no país. O resultado prático? A taxa de inadimplência bancária permaneceu imóvel no patamar crítico de quatro vírgula sete por cento em julho. Estamos falando da maior taxa de calote de toda a série histórica revisada pelo Banco Central desde março de dois mil e onze.
Não adianta prorrogar programa ou assinar decreto. Inadimplência não se resolve com perdão estatal de fachada ou demagogia de gabinete. Inadimplência se resolve com educação financeira, produção real de riqueza e liberdade econômica. Quando o Estado intervém para fingir que resolve o problema do endividamento, ele cria apenas incentivos perversos. Ele ensina o indivíduo a se endividar irresponsavelmente, esperando que a máquina pública venha resgatá-lo com o dinheiro dos outros.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
No final das contas, a lição é dolorosa, mas cristalina: não existe almoço grátis e o Estado jamais vai resolver os problemas que ele próprio cria. Quando o político aparece na televisão prometendo desenrolar a sua vida ou te dar crédito fácil, proteja a sua carteira, porque quem vai pagar a conta da gastança e da inflação no futuro é você.
Chega de esperar salvação vinda de Brasília. Quer prosperar de verdade? Busque conhecimento financeiro, rejeite a dependência do governo e assuma a responsabilidade individual sobre a sua vida. Imposto é roubo, a burocracia estatal é um parasita e a única solução possível é o livre mercado.