BRASIL E MUNDO — Abertura
Se você ainda acredita que o teatro eleitoral brasileiro tem qualquer compromisso com a sua liberdade, prepare o estômago. Em Minas Gerais, o segundo maior curral eleitoral do país, a disputa pelo controle da máquina estatal virou um espetáculo pastelão da mais pura disputa por privilégios corporativos e orçamento público.
Temos pré-candidato chorando em rede social, caciques partidários mudando de lado do dia para a noite e o pagador de impostos assistindo a tudo como mero patrocinador forçado. É a demonstração límpida de como o Estado funciona: um balcão de negócios onde o indivíduo é apenas o pagador da fatia da coerção.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos analisar a trapalhada com os fatos da fonte. O senador Cleitinho, do Republicanos, deu um show de indecisão. O sujeito apareceu chorando na internet falando que não seria candidato ao governo de Minas, depois voltou atrás, e o partido resolveu confirmar a candidatura. Mas essa oscilação crônica escancarou a fragilidade do processo. No jogo do poder estatal, hesitação é fatal. O pessoal do PL olhou para aquela instabilidade, sentiu que o candidato podia amarelar a qualquer momento e resolveu não arriscar. No mercado político, onde os partidos vivem de verbas públicas e tempo de TV, a dúvida do Cleitinho custou caro.
E quem o PL resolveu apoiar na convenção? Escolheram o Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a FIEMG. O líder do PL no Senado, Rogério Marinho, deixou bem claro que o partido vai de Roscoe e não apoia mais a aventura do Cleitinho. É a clássica movimentação da burocracia partidária buscando aliança com o corporativismo empresarial, garantindo que o aparato do Estado continue servindo aos grandes grupos econômicos enquanto o pequeno empreendedor e o trabalhador continuam esmagados por taxas e regulamentações. Em vez de defender a livre concorrência, o PL prefere o aconchego de uma candidatura corporativa.
E por qual motivo a briga por Minas Gerais é tão encarniçada? Porque Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, um verdadeiro entroncamento geopolítico entre o Sudeste e o Nordeste. O que acontece lá reflete diretamente na corrida pelo poder central em Brasília. Para a casta política, Minas Gerais não é uma terra de cidadãos livres produzindo riqueza, mas sim uma gigantesca fazenda tributária com milhões de pagadores de impostos indefesos e um colégio eleitoral decisivo para manter o aparato estatal funcionando a todo vapor.
Do lado do atual governo estadual, o cenário também é de pura incerteza. Romeu Zema não pode tentar a reeleição devido às restrições do próprio regramento estatal e tenta empurrar seu vice, Mateus Simões, que ainda patina nas pesquisas de opinião. Como alternativa surge Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, figura amplamente lembrada pela atuação autoritária durante a pandemia, quando utilizou o monopólio da violência para fechar comércios, barrar a circulação de pessoas e destruir o sustento de milhares de famílias na base da coerção.
Enquanto isso, a burocracia federal tenta se enfiar no estado a qualquer custo. O governo do Lula tentou amarrar alianças com diversos grupos políticos mineiros, mas tomou porta na cara de quase todos. No ambiente político atual, associar-se ao governo federal virou uma verdadeira bota de cimento: você calça e afunda direto até o fundo do rio. Sem conseguir apoio de peso, o PT foi obrigado a lançar Patrus Ananias como candidato próprio, uma figura sem musculatura eleitoral, escalada apenas para garantir que o partido tenha um palanque em solo mineiro.
O mais irônico dessa novela é olhar para o apelo popular. O Cleitinho figurava em primeiro lugar nas pesquisas, com potencial real para liquidar a fatura até no primeiro turno, dada a aprovação que possui entre o eleitorado mineiro. Porém, a pressão dos bastidores, as incertezas jurídicas do cenário atual e o medo de represálias do aparato estatal deixam qualquer candidato vacilante. O sistema político não tolera figuras imprevisíveis que não estejam cem por cento submetidas às regras de barganha do funcionalismo e dos caciques partidários. Quando um nome popular não se submete totalmente à disciplina da burocracia, o próprio ecossistema político se encarrega de isolá-lo.
Ser candidato sob a estrutura estatal brasileira não é mero detalhe. Exige parar a vida, dedicar tempo integral e submeter-se a um desgaste brutal dentro do jogo burocrático do registro de candidaturas. A partir do início oficial da campanha, a engrenagem exige dedicação absoluta à máquina. Quem hesita, abre espaço imediatamente para que nomes com forte apoio de federações patronais e partidos de aluguel assumam o controle da narrativa e da distribuição do fundo partidário, alimentado com o dinheiro tirado do seu bolso.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
No fim desse espetáculo degradante, pouco importa qual parasita vá ocupar o Palácio da Liberdade para canetar decretos e administrar a pilhagem via impostos. Seja um político populista, um burocrata corporativo ligado às federações de indústria ou um fantoche da burocracia federal, o resultado prático para você, indivíduo, continuará sendo exatamente o mesmo: menos liberdade econômica, mais ingerência estatal e uma conta altíssima para sustentar esse circo de privilégios. Quem quer que vença continuará usando a coerção para extrair até o último centavo do seu trabalho.
Entenda de uma vez por todas: a solução para a sua vida nunca virá de uma urna eletrônica ou da escolha do governante menos pior. A novela política de Minas Gerais é só mais uma prova de que a única saída é a descentralização e a defesa da liberdade individual. Reflita sobre isso, deixe seu comentário abaixo, se inscreva no canal e pare de entregar sua soberania na mão de políticos.