BRASIL E MUNDO — Abertura

Você ainda acredita na fábula da tripartição de poderes e no tal sistema de freios e contrapesos do Estado? Deixa eu te contar o que acontece quando a cúpula dos três poderes resolve fazer um jantarzinho amigável.

Lula e Davi Alcolumbre ficaram três meses sem se falar, desde a humilhante derrota do governo na rejeição de Jorge Messias para o STF. E onde é que os dois resolveram selar a paz? Na residência oficial do ministro Alexandre de Moraes, com a presença do ex-advogado do presidente, Cristiano Zanin.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Pensa comigo no absurdo desse teatro estatal. A imprensa vende essa reunião como a mais pura normalidade republicana, um gesto de articulação política. Mas a lógica libertária escancara a fraude: numa república teórica, a única garantia mínima do indivíduo contra o arbítrio é ver os tiranos brigando entre si. Quando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário sentam juntos pra tomar vinho e comer do bom e do melhor, quem paga a conta é você, o pagador de impostos.

Olha o nível de incesto institucional que o monopólio da violência produz. De um lado da mesa, o chefe do Executivo, desesperado para passar suas pautas de espoliação tributária no Congresso. Do outro lado, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, o sujeito que controla o fluxo das leis e a distribuição de privilégios. E no centro de tudo, servindo de anfitrião, um juiz da Suprema Corte.

O detalhe sórdido que essa corja finge não ver é o conflito de interesses grotesco. O STF é a instância encarregada de julgar eventuais crimes cometidos tanto por Lula quanto por Alcolumbre. Como é que um juiz chama os alvos em potencial do seu tribunal para um jantarzinho camarada na própria casa? Eles jantam juntos, combinam o jogo e acertam os ponteiros da burocracia estatal.

E a mão dupla do parasitismo fica ainda mais evidente do outro lado. Davi Alcolumbre, como presidente do Senado, é o único indivíduo no país com a prerrogativa legal de pautar o impeachment de um ministro do Supremo, incluindo o próprio anfitrião, Alexandre de Moraes. Toda essa hipertrofia do Judiciário que sufoca a liberdade individual deriva da omissão calculada de senadores como Pacheco e Alcolumbre, que engavetam os pedidos de impeachment enquanto brindam nas coxias do poder.

A pauta real daquele jantar não foi o bem-estar do cidadão ou a defesa dos seus direitos. O governo precisa desesperadamente de apoio no Senado para avançar pautas econômicas e projetos do seu interesse. Para isso, o mecanismo do Estado é sempre o mesmo: liberação de emendas parlamentares, loteamento de cargos e negociatas feitas longe dos olhos do público. É o loteamento do dinheiro público arrancado da sociedade pagadora de impostos.

Quando a cúpula dos três poderes se une em perfeita harmonia, o Estado deixa de fingir que é um garantidor de ordem e mostra sua verdadeira face: uma gangue organizada operando em benefício próprio. A tal 'harmonia entre os poderes' é na verdade o alinhamento perfeito do cartel burocrático contra a liberdade do indivíduo.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Quando o juiz janta com o político que ele deveria julgar, e o político brinda com o juiz que ele deveria fiscalizar, a sua liberdade já foi servida na bandeja como prato principal. Não espere nenhuma solução vinda desse clubinho de parasitas.

Entenda de uma vez por todas: a burocracia estatal não existe para te proteger, mas para se autorreferenciar e expandir o próprio controle. Imposto é roubo, o Estado é uma gangue e esse jantar na casa do Xandão é só a foto de família do cartel que espolia o Brasil todos os dias.