BRASIL E MUNDO — Abertura

Já pode pedir música no Fantástico! A Polícia Federal acaba de pedir ao Supremo Tribunal Federal o terceiro inquérito contra o Lulinha em questão de dias. Três investigações formais por tráfico de influência e corrupção contra o filho do presidente da República.

Mas convenhamos, alguém aí está realmente surpreso? Quando você constrói um aparato estatal gigantesco, financiado pelo roubo institucionalizado que chamamos de imposto, o acesso aos gabinetes de Brasília se torna a mercadoria mais valiosa do mercado. E a família real da burocracia estatal sabe exatamente como precificar e vender esse acesso.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos aos fatos escancarados pela investigação. O ministro André Mendonça já tinha autorizado dois inquéritos anteriores contra o primogênito de Lula. O primeiro envolve esquemas de regulamentação de produtos à base de canabidiol no Ministério da Saúde e no INSS. O segundo mira a empresa Triestructure IT, que abocanhou um contrato de singelos cinquenta e cinco milhões de reais no governo, atuando junto à Dataprev. Agora, a Polícia Federal requer o terceiro inquérito, focando no BNDES e no próprio Palácio do Planalto.

O método é tão grotesco quanto antigo. Uma amiga próxima do Lulinha, a empresária Roberta Luxinger, realizou mais de quarenta visitas fora da agenda oficial a órgãos do governo federal. Ela levava empresários e sócios do filho do presidente direto aos gabinetes dos ministros e às direções de estatais. Quarenta visitas clandestinas para tentar vender facilidades usando o dinheiro que foi arrancado à força do seu bolso via impostos.

A defesa do governo e dos envolvidos tenta usar a desculpa mais esfarrapada do mundo: alegam que essas reuniões informais não geraram desdobramentos contratuais diretos. Veja a petulância do burocrata! O crime de tráfico de influência não exige que o contrato seja assinado para se consumar; a mera tentativa de comercializar acesso ao topo do poder estatal já configura a aberração. Se uma pessoa entra quarenta vezes pela porta dos fundos do poder central, ninguém estava ali para tomar cafezinho.

E olhem o malabarismo jurídico que está acontecendo no STF. Enquanto os dois primeiros inquéritos caíram com André Mendonça, este terceiro inquérito misteriosamente não foi distribuído por prevenção ao mesmo ministro. A própria defesa do Lulinha debochou, chamando o processo de 'melhor de três', insinuando que a PF tenta achar um relator mais camarada no Supremo. Isso expõe como a justiça estatal funciona: não passa de um jogo de cartas marcadas onde o pagador de impostos assiste, passivo, às manobras das elites para proteger seus herdeiros.

E não se enganem. O filho do presidente não possui nenhum tipo de capital intelectual, empresarial ou produtivo que justifique disputar contratos de cinquenta e cinco milhões de reais com o setor público. O único ativo do Lulinha é a caneta do pai. O poder de barganha dele nasce inteiramente do monopólio da violência que o pai comanda. Existem registros de ligações diretas do filho para os gabinetes centrais do governo. Ou seja, o pai fornece o poder coercitivo e o filho fatura nas pontas.

O cidadão comum precisa entender de uma vez por todas: a corrupção não é uma falha ocasional ou um desvio do sistema estatal. A corrupção é o próprio modelo de negócios do Estado. Quando o governo centraliza bilhões de reais arrecadados via tributação compulsória, ele cria um incentivo perverso onde produzir riqueza de forma honesta no livre mercado se torna infinitamente menos lucrativo do que virar sócio do filho do governante. Esse contrato milionário na Dataprev não é um acidente; é a própria razão de existir da máquina pública.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O resultado desse teatro é evidente: enquanto você trabalha metade do ano apenas para sustentar essa máquina parasitária, a patota do poder distribui influência em reuniões fora da agenda. A Polícia Federal pede investigações, o STF faz rodízio de relatores e, no final, a conta da gastança vai direto para o seu bolso na forma de inflação e mais impostos.

Não espere que o Leviatã puna seus próprios criadores ou que a justiça estatal traga qualquer alívio. O Estado jamais se autoreforma. A única resposta moral e lógica contra esse ecossistema de corrupção sistêmica é reduzir o poder e os recursos nas mãos de Brasília. Descentralização e liberdade individual são os únicos remédios. Pense nisso.