BRASIL E MUNDO — Abertura

A imprensa corporativa adora uma fofoca de palácio para distrair o gado da real engrenagem do Leviatã. Agora a moda na revista Veja é especular se o Trump tá estressado, se vai mudar o nome do Lago Ontário para Lago América ou se engatou um romance com a própria secretária pessoal.

Enquanto você consome esse espetáculo pastelão alimentado por burocratas, a verdadeira geopolítica dos parasitas centrais acontece a trinta mil pés de altitude, sem qualquer transparência ou precações com o seu bolso.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos olhar os fatos sem o filtro cor-de-rosa da mídia estatal. A colunista Vilma Grizinski trouxe um artigo na Veja sugerindo que o comportamento supostamente errático de Trump seria sinal de crise ou estresse desmedido. Ela cita episódios como a provocação de rebatisar o Lago Ontário — aquela massa de água na fronteira entre o norte de Nova York e o Canadá — como Lago América. É exatamente o mesmo truque barato de marketing que ele usou ao falar em Golfo da América. O sujeito sabe exatamente como manipular os holofotes da imprensa tradicional, que morde a isca toda santa vez e transforma bravata de palco em análise de segurança nacional.

A mídia também resgatou as declarações antigas de Trump criticando os exercícios militares na Coreia do Sul e elogiando o ditador Kim Jong-un. A explicação é muito mais simples do que a narrativa dos especialistas de gabinete: Trump pressionou o governo sul-coreano porque os caras se recusaram a bancar e ajudar os Estados Unidos na investida contra o Irã. O governo americano entrou naquela aventura militar achando que atropelaria o regime iraniano em duas semanas, mas acabou enredado num atoleiro caríssimo, que lembra bastante a invasão da Ucrânia ordenada por Putin. O Estado sempre promete guerras rápidas e cirúrgicas, mas entrega conflitos infinitos financiados pelo bolso do pagador de impostos.

Mas o circo político precisava de um tempero extra. Um deputado do Texas, disputando espaço na bolha eleitoral, decidiu lançar o boato de que a causa do suposto estresse do Trump seria a sua secretária pessoal, a Natalie Harp. Segundo a fofoca de corredor em Washington, o ex-presidente só queria saber de construir um salão de festas na Casa Branca e passear com a moça no Air Force One. Olha a pequenez dessa burocracia estatal! Seja verdade ou pura invenção de palanque, que diferença prática faz para a sua liberdade individual quem o chefe do império está namorando? Absolutamente nenhuma. Mas mantém a massa entretida enquanto o imposto continua sendo drenado diariamente.

Enquanto a imprensa vende fofoca de alcova, o aparato militar e de inteligência se movimenta nos bastidores longe de qualquer controle social. Um avião de carga militar americano, o imenso C-19 Globemaster, decolou de uma base em Maryland, fez escala em Riga, na Letônia, e pousou direto na capital russa, Moscou. Uma aeronave desse porte costuma transportar armamento pesado ou equipamentos de altíssima segurança. E quem estava a bordo? Ninguém menos que o diretor da CIA, John Ratcliffe, em missão oficial para se reunir com o alto comando da inteligência do Kremlin.

Percebe a assimetria brutal? De um lado, o teatro político vende histórias sobre estresse, nomes de lagos e namoros de bastidor para manter o eleitor hipnotizado. Do outro lado, os chefes do monopólio da violência e da espionagem sentam à mesa para negociar o destino de guerras, sem dar satisfação a absolutamente nenhum indivíduo pagador de impostos. É a essência do Estado: circo para o povo e decisões tirânicas tomadas a portas fechadas por burocratas não eleitos.

Não caia nessa armadilha conceitual de achar que a burocracia estatal opera por rompantes emocionais ou crises de ciúmes de gabinete. Trump faz o jogo dele de ocupar o imaginário popular com declarações absurdas porque sabe que a imprensa dependente de cliques vai espalhar o nome dele de graça. Enquanto isso, o complexo militar-industrial americano desce com aviões de carga em Moscou para tratar dos negócios reais do poder estatal, totalmente blindado do escrutínio público.

O problema do Irã e os desdobramentos na Ucrânia mostram apenas uma coisa: a incapacidade crônica dos governos em prever os custos reais das suas intervenções violentas pelo mundo. Eles gastam bilhões do seu dinheiro, enviam equipamentos secretos em voos noturnos, alimentam cenários de guerra e tentam mascarar o fracasso com desculpinhas sobre estresse pessoal de governantes. O imposto cobrado de você financia tanto a propaganda estridente dos jornais quanto o combustível do Globemaster que voa para a Rússia.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim do dia, pouco importa se o governante da vez quer renomear lagos ou se passeia com a secretária no avião presidencial. O que importa é que o Estado continua expropriando a sua riqueza para bancar intervenções militares e jogos de espionagem ao redor do globo.

Pare de consumir o teatro dos burocratas como se fosse jornalismo sério. Questionar a autoridade e proteger a sua liberdade individual é a única resposta racional contra o monopólio da coerção estatal. Se inscreva no canal, deixe o seu like e até a próxima!