BRASIL E MUNDO — Abertura
Sabe qual é a real utilidade de um orçamento público bilionário, drenado do bolso do pagador de impostos para sustentar o maior aparato militar e de inteligência do planeta? Absolutamente nenhuma, quando o assunto é encarar as consequências das próprias trapalhadas geopolíticas sem ter que recorrer a uma gambiarra digna de filme de pastelão.
O ex-presidente americano Donald Trump precisou fugir de uma ameaça terrorista do Irã se escondendo dentro de um caminhão de marmitas. É exatamente isso que você acabou de ouvir. O homem que ostentava o comando do maior monopólio da violência do mundo teve que trocar a imponência do avião presidencial por um furgão de catering para não virar alvo de um míssil no ar.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Essa história bizarra aconteceu durante o encontro da OTAN realizado na Turquia, no início de julho, mas os detalhes surreais da operação só vieram à tona agora após uma reportagem do jornal Washington Post. Segundo as informações reveladas, tanto o serviço secreto dos Estados Unidos quanto a inteligência de Israel detectaram uma ameaça iminente e extremamente séria vinda do regime iraniano contra a comitiva americana.
Para quem não está lembrado do contexto, o governo do Irã jurou vingança contra Trump desde o início de 2020, quando o ex-presidente ordenou o ataque de drone que matou Qasem Soleimani, o chefe da Guarda Revolucionária Islâmica. Na época, a máquina estatal americana usou drones de alta precisão para explodir o carro do militar iraniano. Só que no jogo de xadrez das guerras estatais, as ações dos burocratas geram consequências permanentes. A tensão continuou escalando até culminar nessa ameaça direta em solo turco.
E qual foi a grande solução encontrada pela inteligência estatal custeada com montanhas de impostos para proteger o líder político? Um espetáculo teatral completo para enganar eventuais terroristas na pista do aeroporto de Ancara. A comitiva organizou uma encenação pública impecável diante das câmeras do mundo inteiro. Trump chegou ao local em sua limousine blindada, subiu a escadaria do antigo Air Force One, acenou sorridente para os jornalistas e entrou na aeronave como se fosse iniciar um voo totalmente convencional.
Mas assim que as portas se fecharam e as câmeras pararam de gravar, a verdadeira mágica da burocracia militar aconteceu nos bastidores. Conectado à outra porta do avião presidencial, estava um caminhãozinho de catering — aquele utilitário usado pelas empresas de serviço de bordo para entregar bandejas de refeição e suprimentos de comida. Trump atravessou o interior da aeronave, passou pela porta de serviço, entrou na caçamba do caminhão de marmitas e foi transportado em segredo até um avião militar bem menor, um C-32A da Força Aérea americana.
O ex-presidente e parte da sua equipe embarcaram no avião menor usando uma escada externa, enquanto o gigante Air Force One decolava normalmente carregado de assessores, funcionários públicos e a tripulação original. E na volta aos Estados Unidos, a farsa continuou: Trump trocou de avião novamente após o pouso e desembarcou diante das câmeras saindo do Air Force One como se nada tivesse acontecido.
Agora, pense no nível de perversidade do aparato estatal exposto nessa manobra. Se os terroristas do Irã tivessem decidido derrubar o avião principal, dezenas de trabalhadores e burocratas de baixo escalão teriam sido pulverizados no ar enquanto serviam de bucha de canhão inadvertida. Para a lógica do Estado, a vida do indivíduo comum não vale absolutamente nada. A população é tributada para pagar as bombas, a tripulação serve de escudo humano e os governantes fogem escondidos na caixa de refeição.
Veja também o absurdo da própria OTAN. Nós estamos falando de um cartel militar internacional mantido pelo confisco sobre o trabalho de milhões de cidadãos sob a falsa promessa de garantir a paz e a segurança global. A Turquia é um país membro dessa aliança ocidental. Mesmo assim, em pleno território de um aliado militar armado até os dentes, a burocracia governamental não foi capaz de garantir a segurança dos céus e precisou apelar para um truque de esconde-esconde infantil.
Para coroar a ineficiência estatal, bastou poucas semanas para que o próprio sistema vazasse todos os detalhes confidenciais da operação para a imprensa. Ao publicar exatamente como a fuga foi coordenada pelo caminhão de catering, os jornais queimaram publicamente uma tática de evasão que poderia ser usada em emergências reais. O Estado cria o conflito internacional, falha na segurança, usa inocentes como isca e depois expõe a própria estratégia operacional em troca de cliques e manchetes.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Esse episódio vergonhoso do caminhão de marmitas é a síntese perfeita de como funciona todo governo: por fora, exibe uma estrutura imponente, luxuosa e intimidadora mantida por meio da coerção fiscal; por dentro, revela um sistema medroso, oco e desorganizado quando a realidade bate à porta.
O Estado incita guerras no exterior, obriga você a pagar a conta do conflito, usa você como escudo humano na hora da crise e escapa covardemente pela porta dos fundos. Lembre-se disso da próxima vez que algum burocrata tentar te convencer de que o monopolista da força existe para proteger a sua vida.