BRASIL E MUNDO — Abertura
O Estado não tolera concorrência e muito menos exposição. Quando um burocrata de toga decide usar a máquina pública para moer quem ousou revelar os privilégios da elite, o tal estado de direito vira pó em segundos.
A última atrocidade da ditadura judiciária brasileira é o fim prático do sigilo da fonte jornalística. Alexandre de Moraes atropelou garantias constitucionais básicas para proteger o colega de tribunal, Flávio Dino. O recado para o cidadão é cristalino: se você ousar criticar o Leviatã, a bota estatal vai esmagar a sua porta.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos aos fatos sem o verniz corporativista da grande imprensa. Um jornalista expôs que Flávio Dino usava de forma completamente irregular um carro blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão. Em qualquer lugar do mundo com o mínimo de sanidade, a investigação seria contra o político parasita. Mas no Brasil, o monopólio da violência funciona ao contrário: a polícia invade a casa do jornalista, apreende o celular dele, descobre quem foi a fonte e depois devassa a vida dessa fonte e até do advogado do cara.
E olhem o malabarismo burocrático e a cara de pau. Logo depois da reportagem vir a público, o próprio STF correu para solicitar formalmente o veículo para o Dino. Ou seja, confessaram o uso irregular com recibo e tudo! A reportagem estava absolutamente certa. Só que no teatro estatal, mostrar a verdade sobre a casta política virou crime de lesa-majestade.
Para tentar enquadrar o jornalista, Moraes alegou que o sujeito recebeu cem mil reais e o carimbou pejorativamente como blogueiro. Me diga uma coisa: desde quando o Estado decide quanto alguém pode ganhar no mercado livre para fazer o seu trabalho? Não interessa o valor. Mas o aparato estatal precisa criar essa narrativa para usar o inquérito do fim do mundo, associando jornalismo investigativo a supostos atos antidemocráticos.
E esse modus operandi não é novidade. Lembram do caso Eduardo Tagliaferro e Glen Greenwald? Quando as conversas do TSE vazaram, a fúria estatal não foi contra o abuso de poder demonstrado nas mensagens, mas sim contra quem entregou as provas. Foi atrás da fonte sem pudor algum. Aconteceu o mesmo com a jornalista Malu Gaspar, quando vazaram a declaração de imposto de renda da esposa do próprio Moraes.
O ditador de ocasião não aceita ser questionado. Para ele, expor a podridão da máquina pública é um ataque pessoal e às instituições. O método é idêntico ao usado por regimes militares: amedrontar as fontes até que ninguém mais tenha coragem de soprar o apito contra os esquemas da burocracia.
E o mais patético é ver setores da imprensa militante passando pano para esse arbítrio. Jornalistas como Daniela Lima correm para tentar justificar a violência estatal contra os próprios colegas. Eles achavam que o trator da censura só passaria por cima dos inimigos políticos do momento. Esqueceram que a engrenagem do Estado engole qualquer um assim que se torna conveniente.
A verdade é brutal: sem sigilo de fonte, não existe jornalismo. O cidadão fica completamente cego, refém da propaganda oficial e das notas enviadas pelas assessorias de imprensa dos ministérios. É o sonho de consumo de qualquer tirano: um povo desinformado, pagando impostos escorchantes enquanto os burocratas se banquetearm na impunidade.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
O que testemunhamos no Brasil é a liquidação total de qualquer resto de liberdade. Quando o topo do Judiciário se transforma em investigador, acusador e juiz de quem o critica, a única resposta racional é o ceticismo absoluto contra esse sistema falido.
Se você ainda espera que o Estado garanta seus direitos individuais, acorda: a única função dessa estrutura é perpetuar o próprio poder e o controle sobre a sua vida. Desconfie da autoridade, proteja sua privacidade e nunca financie a sua própria servidão.