BRASIL E MUNDO — Abertura
O que acontece quando um burocrata não eleito por ninguém decide ensinar como a sociedade deve escolher os seus mestres? O ministro Alexandre de Moraes resolveu virar o principal cabo eleitoral de uma reforma política, defendendo abertamente a adoção do voto distrital misto no Brasil.
É isso mesmo que você ouviu. O representante do STF quer mudar as regras do jogo eleitoral sob o pretexto de fortalecer o Congresso, dando pitaco público em um assunto que não compete em nada à caneta dele.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Vamos entender o tamanho da petulância. O sujeito ocupa uma cadeira no topo da estrutura estatal, detém o monopólio da última palavra jurídica e agora acha que tem a prerrogativa de redesenhar como o sistema político vai fatiar as eleições.
No modelo que ele defende, o estado ou município seria dividido em distritos, onde cada região elegeria o seu próprio representante. Uma parte das vagas viria desse distrito e a outra parte das listas partidárias, nos moldes do sistema distrital misto da Alemanha ou da divisão por territórios dos Estados Unidos.
A burocracia estatal tenta vender esse peixe dizendo que o eleitor vai passar a saber quem representa a sua região. Só que a grande pergunta que ninguém faz no meio da bolha de Brasília é: por que um ministro do Supremo está tão apressado em atropelar os outros poderes para empurrar essa mudança agora?
A resposta escancara o medo que a velha política tem da descentralização. No sistema proporcional de lista aberta que funciona hoje no Brasil, a comunicação direta furou a bolha dos velhos caciques partidários. Quem sabe usar a mídias digitais consegue atingir o eleitor de forma direta.
Temos o exemplo de parlamentares e influenciadores digitais, como o próprio Nikolas Ferreira, que arrastam multidões de seguidores nas redes sociais. Eles conseguem obter uma quantidade enorme de votos sozinhos, atropelando a fila da velha política sem pedir licença para os partidos tradicionais.
E qual é o verdadeiro pavor do Alexandre de Moraes e do establishment? Medo da concorrência fora da bolha estatal. Querem o voto distrital exatamente para erguer barreiras contra os criadores de conteúdo e proteger os velhos políticos de carreira que estão perdendo espaço para a internet.
Mas a hipocrisia da casta fica ainda mais evidente quando olhamos para a conduta do próprio ministro. Na hora de criticar o Legislativo e decretar que o sistema eleitoral faliu, ele fala com a maior naturalidade. Mas tente propor qualquer freio ao Judiciário para ver a reação.
Como destacou o jornalista Josias de Souza, quando o ministro Edson Fachin tentou criar um simples código de ética e conduta para o STF — uma reforma mínima de procedimentos —, Moraes pegou em lanças e armas para barrar a proposta. Ou seja: reforma na horta dos outros é refresco, mas aceitar código de conduta no próprio feudo, jamais!
BRASIL E MUNDO — Fechamento
O burocrata se recusa a aceitar qualquer crítica ou freio sobre o próprio poder, mas acha perfeitamente normal ditar como a política alheia deve funcionar. É o retrato de quem se considera acima das regras, usando a força do Estado para tentar conter o avanço da comunicação livre.
Enquanto o cidadão continuar achando que a casta togada busca o seu bem, a liberdade continuará sendo sufocada pelas regras do jogo estatal. Pense nisso, deixe seu comentário e se inscreva no canal.